Crioulidade em debate na Praia como elo de ligação entre culturas e povos

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Crioulidade em debate na Praia como elo de ligação entre culturas e povos
28/05/26 - 04:32 pm

Cidade da Praia, 28 Mai (Inforpress) - Representantes de instituições africanas e europeias defenderam hoje, na Praia, a crioulidade como um espaço de questionamento identitário, diálogo cultural e construção social, destacando o seu contributo para a aproximação entre povos e culturas.

Essas perspectivas foram manifestadas durante o encontro internacional “Crioulidade e suas especificidades: Kriolidadi pa mi”, realizado no âmbito do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, que decorre até 30 de Maio, na Universidade de Cabo Verde, organizado pela Presidência da República.

Intervindo como painelista deste encontro, o ministro da Cultura da República de Angola, Filipe Silvino Zau, afirmou que a questão da crioulidade em Angola possui uma trajectória distinta da realidade cabo-verdiana, marcada por especificidades históricas e culturais próprias.

“Temos um país com muitas culturas, muitas línguas e uma experiência histórica totalmente diferente daquela vivida por Cabo Verde”, afirmou, acrescentando que a experiência angolana se aproxima mais da realidade moçambicana.

Filipe Silvino Zau destacou ainda que a identidade angolana assenta em quatro vectores fundamentais, entre os quais, a herança bantu, o contacto com as culturas europeias, especialmente a língua portuguesa, o associativismo e protonacionalismo enquanto factores de resistência e autonomização, além da guerra, que considerou um elemento marcante da identidade nacional.

O ministro explicou igualmente que, em Angola, o termo “crioulo” é entendido sobretudo numa perspectiva linguística e não sociológica.

“Para nós, a ideia de crioulidade insere-se na criação de uma língua que cresce e se estrutura com gramática, dicionário e regras próprias, e não como uma sociedade dividida sob um problema antropo-sociológico”, referiu.

Por sua vez, a secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Maria de Fátima Jardim, considerou que a Crioulidade Atlântica representa um espaço de diálogo, diversidade e aproximação entre povos unidos pela história comum.

Aquela responsável destacou o papel da diáspora na construção de pontes entre continentes e culturas e enalteceu a iniciativa da Presidência da República de Cabo Verde na realização do encontro.

Maria de Fátima Jardim defendeu ainda a criação de mais espaços de reflexão do género, sublinhando que Cabo Verde é “um actor multilateral, dinâmico e muito importante” nas organizações internacionais e regionais.

Já a directora do Desenvolvimento Cultural e Desportivo da ilha da Reunião, Karine Vandersteen, apresentou uma perspectiva diferente daquela região ultramarina francesa, destacando a importância da juventude, das trocas inter-regionais e do reforço da proximidade entre as sociedades crioulas do Atlântico e do Índico.

DG/ZS

Inforpress/Fim

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