
Cidade da Praia, 10 Jun (Inforpress) – A gestão dos resíduos sólidos urbanos na cidade da Praia continua a dividir opiniões entre munícipes, que apontam falhas na regularidade da recolha, enquanto outros lamentam o persistente incivismo e a vandalização de contentores.
O cenário de contentores vazios e lixo espalhado pelo chão, o que mina a limpeza urbana, sobretudo nos bairros periféricos da capital, repete-se com frequência, deparando-se por tudo quanto é lado contentores envoltos de sacos plásticos rasgados, desperdícios espalhados e focos de insalubridade que atraem animais e geram mau cheiro, afectando a saúde pública e a imagem da cidade capital.
Numa ronda por pontos estratégicos da capital, nomeadamente Achada Grande Frente, Achada São Filipe, e cruzando as densas zonas residenciais do Palmarejo e Achada de Santo António, a Inforpress constatou realidades distintas.
Se, por um lado, há locais onde os depósitos estão praticamente vazios enquanto os sacos se acumulam no chão por manifesto incivismo, um comportamento que demonstra desrespeito pelas normas de convivência social, pelo bem comum ou pelas leis de uma comunidade, por outro, a densidade populacional de certas artérias esmaga a capacidade dos equipamentos disponíveis, que transbordam muito antes da passagem dos serviços municipais.
“O camião da recolha passa, mas às vezes fica dois ou três dias sem aparecer. Como os contentores são poucos para a quantidade de moradores, o lixo acumula-se rapidamente. Não temos outra escolha senão deixar os sacos no chão”, queixa-se Maria Eunice, residente em Achada São Filipe.
Apontando, por outro lado, a falta de civismo de uma parte da população como um dos maiores entraves à manutenção da limpeza urbana, Evelise Mendonça, uma outra moradora daquele bairro, critica também o despejo de entulho de obras e lixo comercial em contentores domésticos, além do descarte de sacos mal fechados.
“Muitas vezes o contentor está vazio por dentro, mas as pessoas têm preguiça de abrir a tampa ou simplesmente deitam o saco de longe. Os cães e os apanhadores de fardos rasgam tudo e o lixo espalha-se pela rua. A culpa não é só da câmara, nós também temos de cuidar da nossa zona”, indicou.
Outra preocupação partilhada prende-se com os actos de vandalismo, na medida em que dezenas de contentores plásticos têm sido danificados ou incendiados em vários pontos da capital, um prejuízo financeiro, naturalmente, que atrasa a capacidade de resposta na cobertura de novas rotas de recolha.
O sentimento é partilhado nas ruas, onde algumas pessoas abordadas pela Inforpress defendem a necessidade de colocar o Código de Postura Municipal em prática.
Confrontado com as reclamações dos munícipes sobre as falhas na recolha e a pressão sobre os equipamentos, o vereador do Saneamento da Câmara Municipal da Praia, Carlos Dias, reconheceu as limitações logísticas, mas apontou a obsolescência da frota como o principal entrave técnico da autarquia.
No entanto, em resposta directa às críticas sobre a sujidade em torno dos contentores, Carlos Dias devolveu a responsabilidade ao comportamento de uma parte da população, classificando-o como o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” do saneamento na Praia.
SC/AA
Inforpress/Fim
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