
Cidade da Praia, 15 Out (Inforpress) – A Associação Sindical dos Magistrados do Ministério Publico (ASSIMP) revelou hoje que a colaboração da Policia Judiciária e da Polícia Nacional na investigação criminal registou reduções de cerca de 20% e 30%, respectivamente, este ano.
A informação foi avançada à imprensa por Elisa Mendes, membro da Comissão Administrativa da ASSIMP, após audição na Comissão Especializada de Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos, Segurança e Reforma do Estado, no âmbito da preparação do debate sobre a situação da Justiça.
“Isso significa que a Polícia Judiciária entregou menos processos com investigação concluída ao Ministério Público”, afirmou, reconhecendo que a corporação enfrenta dificuldades próprias, nomeadamente em termos de meios.
Segundo esta responsável, a redução se reflecte na quantidade de processos investigados e concluídos pelas duas forças policiais e remetidos ao Ministério Publico, acrescentando que a diminuição da coadjuvação tem-se verificado ao longo dos anos.
De acordo com Eliza Mendes, o Ministério Público realiza directamente uma parte significativa das investigações criminais, mas existem processos que exigem diligências no terreno, acompanhamento no local e outros procedimentos que dependem da intervenção dos órgãos de polícia criminal.
“O Ministério Público já faz e faz muita investigação; a maioria dos processos que tramita resulta de averiguações conduzidas pelo próprio magistrado no seu gabinete”, explicou.
Contudo, acrescentou que há investigações que exigem meios operacionais e diligências que os magistrados não estão em melhores condições de executar directamente, cabendo às polícias assegurar esse trabalho.
Neste sentido, Elisa Mendes salientou que a diminuição do número de processos investigados e concluídos pelas forças policiais tem impacto na capacidade de resposta final do Ministério Público, que precisa de analisar os casos recebidos e decidir sobre o seu encaminhamento, incluindo o arquivamento ou a dedução de acusação.
A responsável apontou ainda outros constrangimentos enfrentados pelo Ministério Público, nomeadamente a insuficiência de recursos humanos e materiais, as limitações das instalações e a falta de equipamentos necessários ao funcionamento das procuradorias.
Na Comarca da Praia, segundo Elisa Mendes, estão acumulados cerca de 50 mil processos pendentes, num total superior a 60 mil em todo o país, indicando que a comarca dispõe de 14 procuradores exclusivamente dedicados à investigação criminal, o que corresponde, em média, a cerca de quatro mil processos pendentes por magistrado.
Perante este cenário, defendeu o reforço dos meios humanos e materiais e a adoção de uma solução temporária específica para reduzir a pendência processual, através da criação da figura dos assessores.
CM/CP
Inforpress/Fim
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