China, Rússia e França entram em contacto para discutir trégua, revela Teerão

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China, Rússia e França entram em contacto para discutir trégua, revela Teerão
10/03/26 - 08:53 am

Teerão, 10 Mar (Inforpress) – O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que vários países, incluindo a China, a Rússia e a França, contactaram Teerão para discutir um possível cessar-fogo.

“A nossa primeira condição para um cessar-fogo é que a agressão não se repita”, declarou ainda Gharibabadi, durante uma entrevista divulgada esta terça-feira pela agência de notícias persa ISNA.

“Não iniciámos a agressão nem a guerra”, disse o diplomata, em resposta aos apelos para um cessar-fogo, acrescentando que o país está a defender-se.

As declarações surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter rejeitado, na segunda-feira, negociações de paz com os Estados Unidos (EUA).

“Estamos prontos para continuar a atacá-los com mísseis durante o tempo que for necessário e sempre que for necessário”, disse o chefe da diplomacia iraniana à emissora norte-americana PBS News.

Araqchi acrescentou que as negociações com Washington “já não estão na agenda” e que o Irão está preparado para lutar “pelo tempo que for necessário”.

No domingo, o ministro já tinha rejeitado apelos para um cessar-fogo imediato, durante uma entrevista com uma outra emissora norte-americana, a NBC.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez na segunda-feira declarações contraditórias sobre o futuro imediato da guerra no Irão, primeiro dizendo que estava “praticamente terminada” e depois que ainda não sabia “até onde poderia ir”.

Trump enumerou várias alegadas conquistas após dez dias de guerra, como o ataque a cinco mil alvos, o afundamento de mais de 50 navios, a destruição de fábricas de drones e a redução da capacidade de mísseis do regime iraniano para 10% ou “talvez menos”.

Em resposta, a Guarda da Revolução Islâmica afirmou que os mísseis são “agora mais poderosos do que no início da guerra” e que tem capacidade para alargar o conflito.

“Estamos preparados para expandir a guerra; a segurança será para todos, ou a insegurança para todos. Somos nós quem determinará o fim da guerra”, enfatizou o corpo militar de elite, num comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Fars.

Os EUA e Israel lançaram a 28 de Fevereiro uma campanha de ataques militares contra o Irão.

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projécteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

Os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita reportaram hoje novos ataques contra os seus territórios no décimo primeiro dia da guerra no Irão.

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou, através da rede social X, que as defesas aéreas interceptaram vários mísseis e drones vindos do Irão e pediu à população para “seguir as instruções de segurança”.

A Guarda Nacional do Kuwait “interceptou e abateu com sucesso seis drones” nos sectores norte e sul do país, anunciou a agência de notícias estatal.

O Ministério do Interior do Bahrein, por sua vez, pediu à população que se dirigisse “ao local seguro mais próximo” e mantivesse a calma. Os alertas de ataque aéreo soaram em todo o país, embora as autoridades ainda não tenham relatado nenhum ataque específico.

Inforpress/Agências/Fim

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