
Sal Rei, 27 Ago (Inforpress) – Criadores de gado da zona do Rabil, na Boa Vista, denunciaram hoje a perda de animais atolados em poços abertos por empresas de construção civil, e falta de máquinas pesadas na ilha para efectuar a limpeza dos locais.
Em declarações à imprensa, o criador Maximiliano Fernandes “Djô Bento” alega que as escavações possivelmente foram feitas no âmbito de obras de infra-estruturas como aeroporto e estradas, tendo os poços sido abandonados sem qualquer protecção ou manutenção, transformando-se em "armadilhas mortais" onde vacas e burros selvagens ficam presos na lama ao tentarem beber água.
O criador indicou que os animais sempre pastaram na zona e não tinham esse problema, mas uma fonte vizinha que está entupida também faltou água e agora vão nessa que nunca foi fonte, onde cavaram até aparecer água. Afirmou ainda que se não tivessem retirado água desse buraco não estariam com esse problema.
Djô Bento adiantou que a Câmara Municipal da Boa Vista até chegou a disponibilizar um equipamento, mas não adiantou porque a máquina não tinha "capacidade adequada" para o tipo de trabalho necessário.
"Nós temos dinheiro para pagar a máquina, não temos esse problema. O problema é ter a máquina adequada disponível na ilha para limpar e tirar-nos desta fome de água. Se o Governo ou a câmara não quiserem ajudar de graça, podem cobrar pelo serviço nós pagamos", afirmou o criador, frisando que a situação tem provocado prejuízos financeiros e um cenário de decomposição de carcaças na zona.
Por sua vez, o criador Tertuliano Varela lamentou a falta de assistência técnica e de meios por parte do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural e da autarquia local, destacando o impacto negativo das empresas de construção na rotina da pecuária tradicional.
"Nós não temos apoio, tanto da câmara como do MDR, não temos apoio nenhum. São anos e anos de sacrifício da nossa parte, mas sem água em condições para os animais beberem, o criador não tem o que fazer", desabafou à Inforpress.
A mesma fonte alegou que antes quando não tinham essas empresas e tanques que vão e apanham essa água, não tinham esses problemas. “Agora os pobres animais ficam no campo sem recurso. Pior é que nem encontram máquinas para fazer o serviço de limpeza das fontes”, acrescentou.
Perante o agravamento da situação e os riscos de saúde pública derivados dos animais mortos no local, os criadores do Rabil apelam à intervenção urgente das autoridades competentes no sentido de disponibilizarem ou mediarem o aluguer de equipamentos pesados adequados para a limpeza e segurança dos poços.
MGL/ZS
Inforpress/Fim
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