
Bruxelas, 28 Jan (Inforpress) – A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) defendeu hoje que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) “se deve tornar mais europeia” para fazer face às ameaças em termos de segurança e defesa.
“Estamos todos bem cientes das questões políticas que têm limitado a cooperação, mas especialmente agora que os Estados Unidos estão a voltar as suas atenções para o exterior e para além da Europa, a NATO precisa de se tornar mais europeia para manter a sua força e, para isso, a Europa deve agir”, disse Kaja Kallas, em declarações num evento da Agência Europeia de Defesa, em Bruxelas.
“Por exemplo, precisamos de garantir que as nossas iniciativas de segurança e defesa continuem a ser complementares às da NATO e, para isso, a bola também está no campo da NATO. Se quisermos utilizar instrumentos da UE, como o nosso poder orçamental e regulamentar, para apoiar e capacitar a NATO, temos de saber quais são essas necessidades e objetivos”, referiu a Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.
De acordo com Kaja Kallas, “quanto mais informações a NATO fornecer, melhor é possível alinhar-se” com a UE, já que “os 23 países que são membros de ambas as organizações têm uma responsabilidade especial e um interesse particular em garantir a coerência”.
“Precisamos de sincronizar os nossos esforços com a NATO, de modo a complementarmo-nos mutuamente”, concluiu.
As declarações surgem depois de, na segunda-feira, o secretário-geral da NATO ter considerado que a Europa não se conseguiria defender sem os Estados Unidos, salientando que o desenvolvimento de uma Defesa autónoma no continente necessitaria de um investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) por Estado-membro.
“Se alguém aqui acha que a União Europeia, ou a Europa, se conseguiria defender sem os Estados Unidos… Continuem a sonhar. Não conseguem. Não conseguimos. Precisamos uns dos outros”, afirmou Mark Rutte numa audição no Parlamento Europeu, também em Bruxelas.
O secretário-geral da NATO criticou a ideia, defendida por alguns eurodeputados nessa audição, de que se deve desenvolver um pilar europeu de Defesa autónomo, que garantiria a proteção da UE caso os Estados Unidos se retirem do continente, sugerindo que é irrealista.
As declarações de Kaja Kallas também foram preferidas após o Presidente norte-americano ter recuado, na quarta-feira passada, nas ameaças tarifárias e de segurança à UE no seguimento de um acordo com Mark Rutte sobre a Gronelândia.
Sobre esta questão, o secretário-geral da NATO disse ter acordado com o Presidente dos Estados Unidos, em Davos, um reforço da presença da Aliança no Ártico para impedir que a Rússia e a China ganhem acesso militar e económico à região.
Inforpress/Lusa
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