
Cidade da Praia, 19 Ago (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Praia afirmou hoje que quer transformar a forma como os munícipes encaram os resíduos sólidos, apostando na reutilização do lixo como matéria-prima para a construção e para a criação de oportunidades de negócio.
A ideia está integrada no projecto-piloto “Inovo Praia”, apresentado no âmbito do workshop “Construção Resiliente, Praia Limpa e Economia Circular”, que tem como tema central “O Lixo Vale Dinheiro”.
Em declarações à comunicação social, o presidente da Câmara Municipal da Praia, Fernando Pinto, explicou que o projecto surge no quadro de uma mudança de mentalidade em relação à gestão dos resíduos e à protecção ambiental.
“Há uma palavra que queremos que as pessoas comecem a pensar nela. Inovo Praia”, afirmou o autarca, explicando que a designação está associada ao conceito de “Inovo África” e a uma “revolução” na mentalidade dos cidadãos e munícipes.
Segundo Fernando Pinto, trata-se de um projecto-piloto de Praia limpa e circular, associado à utilização de resíduos sólidos na construção de habitações, estradas, passeios e instituições públicas e privadas, com o objectivo de tornar a cidade “cada vez mais amiga do ambiente”.
Um dos exemplos apresentados durante a iniciativa é a sede do Comité Olímpico, recentemente inaugurada e construída com recurso a pneus.
A iniciativa prevê igualmente o aproveitamento de garrafas de vidro, pacotes de leite e de sumo, cartão, ferro, madeira e plástico.
Para concretizar a reutilização dos resíduos, a autarquia pretende envolver jovens, mulheres e a população em geral em acções de formação.
A estratégia, explicou Fernando Pinto, passa por informar, formar, sensibilizar e depois capacitar as pessoas, criando condições para que desenvolvam uma atitude mais empreendedora.
Neste processo, a autarquia pretende aproveitar estruturas que já possui, nomeadamente o Gabinete de Empreendedores e Inovação, que promove concursos e financia micro e pequenas empresas.
A educação ambiental deverá também chegar às escolas e aos bairros, através de associações comunitárias e organizações não-governamentais ligadas ao ambiente e ao trabalho comunitário.
A intenção é que os munícipes façam a separação dos resíduos em casa e os encaminhem para pontos específicos, onde jovens possam adquiri-los para os transformar em produtos acabados ou destiná-los à construção.
Para Fernando Pinto, esta é uma das vias para enfrentar um dos principais problemas ambientais do município: a produção e gestão de resíduos.
Questionado sobre as dificuldades que a Praia tem enfrentado nos últimos anos na recolha de lixo, o presidente da câmara reconheceu que a autarquia nem sempre consegue responder como gostaria.
“Assumimos que nem sempre conseguimos fazer como gostaríamos, quer em termos de meios materiais, quer em termos de meios humanos, sobretudo em termos de recursos financeiros”, declarou.
O presidente apontou ainda as limitações provocadas pelo facto de a edilidade ter passado “largos anos sem receber fundos do Fundo Ambiente”, situação que, segundo afirmou, condicionou a capacidade da autarquia para adquirir os meios necessários.
Sobre os custos da gestão dos resíduos e do saneamento, a mesma fonte afirmou que esta é uma das áreas que mais recursos consome, afirmando que só em recursos humanos, a área representa entre 40% e 50% dos recursos humanos da autarquia.
JBR/ZS
Inforpress/Fim
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