Ministro das Infraestruturas alerta para riscos do crescimento urbano sem planeamento

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Ministro das Infraestruturas alerta para riscos do crescimento urbano sem planeamento
19/08/26 - 07:02 pm

Cidade da Praia, 19 Ago (Inforpress) – O ministro das Infraestruturas, Carlos Tavares, considerou hoje as cidades uma das maiores invenções da humanidade, mas alertou para o crescimento sem planeamento que pode gerar problemas de habitação, mobilidade, resíduos, ocupação territorial, degradação ambiental e exclusão social.

O alerta foi feito pelo ministro das Infraestruturas, Habitação e Ordenamento do Território ao presidir ao workshop "Construção Resiliente, Praia Limpa e Economia Circular", promovido pela Câmara Municipal da Praia, que traz como lema "O Lixo Vale Dinheiro".

De acordo com o ministro, não há cidades condenadas ao presente, mas sim que precisam de visão, projecto de liderança e de capacidade para transformar os seus problemas em oportunidades.

“É por isso que iniciativas como estas são importantes, pois permitem não só pensar na cidade que temos hoje, mas, sobretudo, projectar a cidade que queremos para o futuro”, acrescentou Carlos Tavares.

Neste sentido, o ministro relacionou o futuro das cidades com a forma como se constrói, dos recursos que é utilizado e da forma como é cuidado o espaço urbano.

Defendeu, neste sentido, que não se pode pensar a construção apenas como um acto de levantar edifícios, estradas ou infraestruturas, mas deve incorporar preocupações como construir de forma mais eficiente, reduzir desperdícios, valorizar materiais, utilizar melhor água e energia e encontrar soluções adequadas às condições ambientais, económicas e sociais do país.

Segundo Carlos Tavares, existe a necessidade de uma construção mais resiliente, capaz de responder melhor aos riscos, às alterações climáticas, às limitações dos recursos, considerando que para Cabo Verde esta discussão é particularmente importante.

Durante a sua intervenção, o ministro assegurou que o Governo está a estruturar “importantes instrumentos de política pública”, nomeadamente o Programa Casa para Todos, nova geração e o Programa Nacional de Requalificação Urbana, um investimento de quase 30 milhões de contos para os próximos tempos.

Para o governante, estes instrumentos devem contribuir para introduzir inovação no sector da construção, criando condições para testar e incorporar novas soluções, materiais e políticas.

“Não queremos apenas construir mais, queremos construir melhor”, afirmou.

Uma outra abordagem do ministro centrou-se sobretudo na necessidade de ter cidades mais limpas, defendendo que para ter uma Praia limpa não depende apenas da recolha de resíduos.

“Depende de planeamento urbano, espaços públicos qualificados, de boas infraestruturas, de uma adequada gestão dos resíduos e, sobretudo, de cidadania urbana com a consciência de que os cidadãos têm direitos, mas também têm deveres no cuidar dos seus espaços de vivência”, frisou.

“A cidade sustentável não se constrói apenas com obras públicas”, salientou, defendendo o envolvimento dos cidadãos, das empresas e das instituições na preservação do espaço público, entendido como património de todos.

Carlos Tavares destacou também a importância de adaptar as soluções às características de cada território.

Para o ministro, não existem respostas universais para a gestão do território e a construção das cidades, uma vez que cada realidade tem os seus próprios recursos, limitações e identidade.

JBR/ZS

Inforpress/Fim

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