
Cidade da Praia, 25 Jul (Inforpress) – O antigo presidente da Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCBB), Hélder Gonçalves, rejeitou hoje as conclusões do relatório de auditoria que aponta fragilidades na gestão financeira e documental durante o seu mandato, classificando as acusações como uma "perseguição".
Em declarações à Inforpress, o ex-dirigente afirmou que não tem "nada a esconder" e garantiu que todas as decisões financeiras tomadas durante o seu mandato foram deliberadas em conjunto pela direcção e motivadas pelas necessidades de funcionamento da federação.
"Não tenho nada a temer. Se o caso for ao Ministério Público ou aos órgãos judiciais, responderei com toda a clareza e apresentarei todos os comprovativos", declarou Hélder Gonçalves.
O relatório de auditoria, divulgado recentemente pela actual direcção da FCBB, presidida por José Semedo, concluiu que, entre Abril e Dezembro de 2025, foram efectuados mais de 300 movimentos bancários nas contas da federação, envolvendo cerca de 20 mil contos, dos quais mais de 12 mil contos permanecem sem justificação documental.
O documento refere igualmente que mais de 1.400 contos foram transferidos da conta da FCBB para a conta pessoal de Hélder Gonçalves.
Sobre estes dados, o antigo presidente contestou os valores apresentados, alegando que assumiu a liderança da federação apenas a 10 de Maio de 2025.
“Entrei na federação em Maio. Não faz sentido atribuírem-me a movimentação de cerca de 20 mil contos. Esses valores não condizem com a realidade da minha gerência", sustentou.
Relativamente às transferências para a sua conta particular, Hélder Gonçalves explicou que se tratavam de procedimentos recorrentes para assegurar pagamentos urgentes em competições internacionais, dada a inexistência de cartões bancários em nome da federação.
Segundo explicou, em deslocações oficiais era frequente recorrer às contas pessoais de membros da direcção para efectuar pagamentos relacionados com alojamento, alimentação, assistência médica, aquisição de materiais e outras despesas operacionais, assegurando que tais procedimentos já eram utilizados por anteriores direcções da FCBB.
O antigo dirigente argumentou ainda que todos os comprovativos das despesas permaneceram na sede da federação quando deixou o cargo, depois de, segundo disse, ter sido obrigado a entregar as chaves da instituição.
"Os comprovativos ficaram na federação. Quem hoje dirige a instituição tem acesso à documentação e deve procurá-la", afirmou.
Durante a entrevista, Hélder Gonçalves acusou a actual direcção de promover uma campanha para denegrir a sua imagem, reiterando que foi afastado da presidência de forma ilegal e revelando que existe um processo judicial ainda pendente relacionado com as eleições que conduziram à actual liderança da FCBB.
"O que está a acontecer é uma perseguição. Tenho provas de tudo o que estou a dizer e, na próxima semana, realizarei uma conferência de imprensa onde apresentarei documentos e esclarecerei todos os factos", declarou.
Hélder Gonçalves negou ter estado incontactável durante a auditoria, garantindo que manteve os mesmos contactos e esteve sempre disponível para prestar esclarecimentos. Segundo o ex-presidente, a actual direcção da FCBB nunca o procurou para obter informações sobre os factos analisados.
Defendeu ainda que a federação não possui um manual de procedimentos internos que regulamente a gestão administrativa e financeira da instituição.
A actual direcção da Federação Cabo-verdiana de Basquetebol já remeteu o relatório de auditoria ao Ministério Público para investigação das eventuais responsabilidades decorrentes das conclusões do documento.
O caso continua agora sob apreciação das autoridades competentes.
KA/CP
Inforpress/Fim
Partilhar