
Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – A Espanha desmentiu hoje a OMS, que teria avançado que este país europeu havia recusado receber o cruzeiro Hondius, que se encontra ao largo da baía do Porto da Praia, por ter a bordo pessoas infectadas por hantavírus.
O desmentido do ministro espanhol da Saúde foi publicado na rede social X.
"O porto de escala mais adequado será decidido com base nos dados epidemiológicos recolhidos a bordo do navio durante a passagem por Cabo Verde. Até lá, o Ministério da Saúde não tomará qualquer decisão", acrescenta em comunicado.
Espanha contraria, desta forma, as informações avançadas anteriormente pela OMS.
"O plano actual é que o navio continue a viagem até às Canárias". As autoridades espanholas indicaram que vão receber o navio "para realizar uma investigação completa (...) e, claro, avaliar os riscos para os passageiros a bordo", tinha dito esta manhã aos jornalistas Maria Van Kerkhove, directora interina do Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, em Genebra.
Por seu lado, o presidente do governo autónomo das Canárias, Fernando Clavijo, mostra-se pouco interessado em acolher o navio.
Em entrevista à RTVE, defende que é preferível que o barco fique onde está.
Nesta terça-feira a OMS voltou a sublinhar que o risco é baixo para as pessoas em geral. "Este não é um vírus que se propaga como a gripe ou a Covid-19. É muito diferente", acrescentou Kerkhove.
De acordo com o último balanço da OMS, dois casos de hantavírus estão confirmados e outros cinco são considerados suspeitos entre as pessoas que adoeceram no navio de cruzeiro com bandeira holandesa que continua sem desembarcar os passageiros. Três pessoas morreram.
As três vítimas mortais eram um casal holandês e um cidadão alemão, enquanto um cidadão britânico foi evacuado do navio e está internado numa unidade de cuidados intensivos na África do Sul.
Cerca de 150 pessoas continuam retidas no Hondius, que transporta passageiros, na maioria britânicos, americanos e espanhóis, num cruzeiro de luxo que partiu do extremo sul da Argentina no final de Março. Há um cidadão português entre os tripulantes.
O cruzeiro visitou a península Antártica, a Geórgia do Sul e Tristão da Cunha – algumas das ilhas mais remotas do planeta.
Como medida de precaução, os passageiros foram instruídos para permanecerem nas respectivas cabines sempre que possível, disse ainda a OMS, acrescentando que o período de incubação pode durar várias semanas, o que significa que algumas pessoas podem ainda não apresentar sintomas.
Hantavirose é uma doença infecciosa aguda e grave, transmitida por roedores (ratos) silvestres.
A infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva desses ratos, podendo evoluir para Síndrome Cardiopulmonar (grave falta de ar) ou, menos comum, síndromes renais.
A inalação de partículas contaminadas - por exemplo, durante a limpeza de espaços com presença de ratos - é uma das formas mais comuns de infecção.
O navio m/v Hondius tem sete andares, 80 cabines e uma capacidade máxima de 170 passageiros e encontra-se ao largo da baía do Porto da Praia, porque as autoridades não permitiram a sua atracagem, devido à presença do hantavírus detectada a bordo da embarcação.
LC/ZS
Inforpress/Fim
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