Antropólogo investiga festas tradicionais do Fogo como expressão da identidade coletiva

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Antropólogo investiga festas tradicionais do Fogo como expressão da identidade coletiva
05/05/26 - 04:53 pm

Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – O antropólogo Carlos dos Santos está a desenvolver uma investigação sobre as festas tradicionais da ilha do Fogo, analisando de que forma estas manifestações culturais e religiosas estruturam a identidade colectiva e preservam a memória social intergeracional.

O estudo incide sobre as festividades de Nhô São Filipe e resulta de mais de 15 anos de experiência do investigador nas Ciências Sociais, enquanto docente universitário e participante activo destas celebrações.

Em declarações à Inforpress, Carlos dos Santos explicou que a abordagem vai além da descrição histórica, centrando-se na análise dos rituais, mitos, práticas simbólicas e dinâmicas sociais que emergem durante os momentos festivos.

O investigador considera que, apesar de existirem registos e trabalhos académicos sobre as festas da ilha, subsiste a necessidade de uma sistematização mais aprofundada do seu papel enquanto fenómeno estruturante da identidade foguense.

No trabalho de campo realizado durante as recentes celebrações, privilegiou a observação participante, sublinhando a importância de acompanhar directamente os diferentes intervenientes e a vivência comunitária dos rituais.

A investigação analisa ainda a organização dos grupos, a hierarquia simbólica e os mecanismos de coesão social, bem como o papel da música, das bandeiras, das cavalhadas e das práticas intergeracionais na transmissão da memória coletiva.

Outro eixo em estudo é a influência da diáspora, com destaque para o regresso de emigrantes, sobretudo dos Estados Unidos, interpretado como um reencontro simbólico com a terra de origem, reforçando os laços culturais e afectivos.

A investigação entra agora na fase de entrevistas aprofundadas, com vista à compreensão dos significados atribuídos às práticas festivas e das regras que sustentam a sua organização.

Os primeiros resultados deverão ser apresentados até meados de Julho, contribuindo para uma leitura mais aprofundada das festas do Fogo enquanto património cultural vivo e elemento central da identidade local.

KA/JMV

Inforpress/Fim

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