Associação de Famílias e Amigos de Surdos preocupada com vulnerabilidade de crianças e mulheres surdas

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Associação de Famílias e Amigos de Surdos preocupada com vulnerabilidade de crianças e mulheres surdas
09/01/26 - 02:14 pm

Cidade da Praia, 09 (Inforpress) – A Associação de Famílias e Amigos de Surdos (AFAS-CV) tem mostrado inquietação com a vulnerabilidade de crianças e mulheres surdas que pela fragilidade são vitimas de violência e abuso sexual, afirmou hoje a presidente, Ângela Lopes.  

Em declarações à Inforpress, Ângela Lopes disse que a Associação foi criada com o objectivo de apoiar as famílias com a comunicação gestual, por forma a facilitar a interacção com um membro da família que é surdo.

Disse ainda que o objectivo é ajudar as pessoas surdas a se defenderem e a denunciarem casos de violência e abuso sexual, alegando que, por serem mais vulneráveis, acabam por passar por essas situações e não conseguem comunicar aos familiares e amigos.

Destacou que a AFAS-CV foi criada recentemente, com a sua publicação no Boletim Oficial a 04 de Novembro de 2025, com o objectivo de apoiar familiares e amigos de surdos na inclusão.

Declarou que “muitas famílias” se têm queixado da dificuldade de comunicar com o membro familiar que é surdo, por não saberem a comunicação gestual, trazendo outros desafios também na sociedade.

Neste sentido, afirmou Ângela Lopes, que é também professora intérprete gestual, que a associação surgiu com a intenção de diminuir essas dificuldades, e apoiar essas famílias a se comunicarem com pessoas surdas e a quebrarem o estigma.

Acrescentou também que a maioria das famílias em Cabo Verde não tem condições para comunicar claramente com surdos, e acabam usando mímica, mas poucos sabem usar a língua gestual.

Disse que infelizmente Cabo Verde tem poucos profissionais intérpretes gestuais, uma dificuldade percebida por várias instituições.

“Muitos pais apresentam dificuldades também em dar o apoio escolar porque tem problema de comunicação. Não é aceitável que uma família não consiga comunicar com um membro de família por não saber a língua”, lamentou esta responsável que reforçou que a intenção é levar a inclusão de surdos a todos os cantos do país.

A inclusão de surdos é um projecto que, segundo esta fonte, está em andamento e vai permitir localizar mais famílias que estão a lidar com esses desafios e identificar as dificuldades e as potencialidades.

“No momento temos quatro famílias registadas e estamos a recolher informações para saber como actuar e como a pessoa surda pode contribuir para o desenvolvimento do país”, disse Ângela Lopes.

OS/HF

Inforpress/Fim

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