
Cidade da Praia, 09 (Inforpress) – A Associação de Famílias e Amigos de Surdos (AFAS-CV) tem mostrado inquietação com a vulnerabilidade de crianças e mulheres surdas que pela fragilidade são vitimas de violência e abuso sexual, afirmou hoje a presidente, Ângela Lopes.
Em declarações à Inforpress, Ângela Lopes disse que a Associação foi criada com o objectivo de apoiar as famílias com a comunicação gestual, por forma a facilitar a interacção com um membro da família que é surdo.
Disse ainda que o objectivo é ajudar as pessoas surdas a se defenderem e a denunciarem casos de violência e abuso sexual, alegando que, por serem mais vulneráveis, acabam por passar por essas situações e não conseguem comunicar aos familiares e amigos.
Destacou que a AFAS-CV foi criada recentemente, com a sua publicação no Boletim Oficial a 04 de Novembro de 2025, com o objectivo de apoiar familiares e amigos de surdos na inclusão.
Declarou que “muitas famílias” se têm queixado da dificuldade de comunicar com o membro familiar que é surdo, por não saberem a comunicação gestual, trazendo outros desafios também na sociedade.
Neste sentido, afirmou Ângela Lopes, que é também professora intérprete gestual, que a associação surgiu com a intenção de diminuir essas dificuldades, e apoiar essas famílias a se comunicarem com pessoas surdas e a quebrarem o estigma.
Acrescentou também que a maioria das famílias em Cabo Verde não tem condições para comunicar claramente com surdos, e acabam usando mímica, mas poucos sabem usar a língua gestual.
Disse que infelizmente Cabo Verde tem poucos profissionais intérpretes gestuais, uma dificuldade percebida por várias instituições.
“Muitos pais apresentam dificuldades também em dar o apoio escolar porque tem problema de comunicação. Não é aceitável que uma família não consiga comunicar com um membro de família por não saber a língua”, lamentou esta responsável que reforçou que a intenção é levar a inclusão de surdos a todos os cantos do país.
A inclusão de surdos é um projecto que, segundo esta fonte, está em andamento e vai permitir localizar mais famílias que estão a lidar com esses desafios e identificar as dificuldades e as potencialidades.
“No momento temos quatro famílias registadas e estamos a recolher informações para saber como actuar e como a pessoa surda pode contribuir para o desenvolvimento do país”, disse Ângela Lopes.
OS/HF
Inforpress/Fim
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