
Cidade da Praia, 06 Mai (Inforpress) - Os professores de Língua Portuguesa defenderam hoje o reforço da leitura, escrita e oralidade, com maior uso das bibliotecas, clubes de leitura e envolvimento familiar para melhorar as competências linguísticas dos alunos em Cabo Verde.
A Inforpress foi ao terreno auscultar docentes que leccionam a disciplina de Língua Portuguesa sobre os principais desafios no processo de ensino e aprendizagem e as estratégias necessárias para a melhoria das competências linguísticas dos alunos em Cabo Verde.
O professor de Língua Portuguesa José Lino considerou que ainda há “fragilidades significativas” entre os estudantes, sobretudo na interpretação e produção textual, defendendo o reforço de estratégias pedagógicas inovadoras.
“É preciso melhorar muito sobretudo na escrita e na oralidade, posteriormente na interpretação e compreensão. A partir dos poemas pode-se estimular a imaginação criativa e as viagens através da leitura”, afirmou.
O docente defendeu a criação de clubes de leitura, actividades de pensamento crítico e uma maior utilização das bibliotecas escolares, através de práticas como quizzes de leitura, exercícios de interpretação e produção criativa de textos.
José Lino propõe assim iniciativas de leitura em família, como forma de aproximar os alunos dos livros no contexto doméstico.
“A língua portuguesa é um instrumento que nos une e nos permite contactar com o mundo, por isso precisamos de investir mais na sua valorização”, sublinhou.
Na mesma óptica, a docente Natally Veríssimo vincou a importância de tornar o ensino mais interativo e ligado ao quotidiano dos estudantes, de modo a estimular o gosto pela leitura desde cedo.
“Não basta ensinar regras gramaticais. É fundamental criar experiências de leitura significativas, onde o aluno se identifique com os textos e participe activamente na construção do conhecimento”, defendeu.
A mesma fonte considerou que ainda se revela um “desafio significativo” levar os alunos a comunicarem exclusivamente em língua portuguesa.
Mesmo entre os mais aplicados e com melhor desempenho académico, persiste alguma resistência à utilização do português como língua de expressão oral no quotidiano escolar.
A docente considerou que a escola deve apostar em projectos contínuos de leitura, dramatização de textos e produção de narrativas, envolvendo também a comunidade educativa.
Natally Veríssimo acrescentou ainda que a utilização das bibliotecas deve ser mais dinâmica, com actividades regulares que incentivem a curiosidade e o pensamento crítico dos alunos.
As propostas dos docentes surgem num contexto em que iniciativas como o Concurso Nacional de Leitura são já consideradas “importantes”, mas ainda “insuficientes” para garantir uma mudança estrutural na relação dos jovens com a Língua Portuguesa.
KA/SR//ZS
Inforpress/Fim
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