Dia do Professor Cabo-verdiano: Sindicatos dos professores dividem dia entre celebração e críticas ao novo PCFR

Inicio | Sociedade
Dia do Professor Cabo-verdiano: Sindicatos dos professores dividem dia entre celebração e críticas ao novo PCFR
23/04/26 - 01:08 am

Cidade da Praia, 23 Abr (Inforpress) - O Sindep e o Sindprof defenderam hoje que o Dia do professor cabo-verdiano deve ser de convívio e de reflexão crítica, considerando que o novo PCFR tem “falhado” em trazer melhorias estruturais e salariais para a classe docente.

Em entrevista à Inforpress, por ocasião da comemoração do Dia do Professor Cabo-verdiano que se assinala hoje, o presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindep), Jorge Cardoso, afirmou que o 23 de Abril, deve ser um dia marcado tanto por reflexão quanto por convívio entre docentes, num contexto em que a classe enfrenta desafios relacionados com carreira, salários e condições de trabalho.

Segundo o sindicalista, a data representa um momento para analisar os avanços alcançados e as limitações ainda existentes no sector, apesar de ser também um dia de comemoração com professores em actividades de lazer e de troca de experiências.

O Sindep reiterou críticas ao Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR), considerando que o documento “não trouxe melhorias estruturais” para os docentes, para além de alguns ajustes salariais.

De acordo com a organização, esses aumentos reflectem sobretudo a ausência de actualizações ao longo dos anos e não representam ganhos efectivos.

Jorge Cardoso sustentou ainda que o PCFR terá eliminado, na prática, a progressão na carreira docente, prejudicando especialmente professores com mais tempo de serviço.

“A carreira deixou de existir como estava prevista nos estatutos anteriores”, indicou, apontando também para desigualdades na tabela salarial entre docentes com e sem licenciatura.

Entre as principais preocupações apontadas estão ainda o atraso no pagamento de retroativos, incluindo subsídios por não redução da carga horária, abrangendo mais de mil professores desde 2024, bem como pendências relativas a docentes aposentados e à implementação do PCFR, sublinhando a necessidade de uma avaliação crítica da situação profissional da classe.

O Sindep alertou igualmente para disparidades nas infra-estruturas escolares entre diferentes regiões do país, defendendo condições equitativas para professores e alunos em todo o território nacional.

A saúde mental dos professores foi também uma outra preocupação manifestada por este sindicalista, referindo que a organização tem iniciativas próprias de apoio psicológico e parcerias com clínicas para ajudar os docentes.

Por sua vez, a presidente do Sindicato dos Professores (Sindprof), Lígia Herbert, afirmou que a data deve ir além das celebrações, servindo como momento de reflexão sobre ganhos e perdas da classe. “O professor é uma voz que ninguém pode silenciar”, declarou.

A dirigente do Sindprof criticou igualmente o PCFR, apontando perdas para professores mais antigos, sobretudo ao nível da progressão e contagem do tempo de serviço após as reclassificações.

Destacou ainda falhas na implementação do regime para educadoras de infância por parte de várias autarquias, que, segundo disse, alegam falta de condições financeiras.

Lígia Herbert denunciou também atrasos em reclassificações, pagamentos de retroactivos e processos de aposentação, considerando que estas situações afectam a dignidade dos profissionais. No caso dos aposentados, criticou a actualização salarial inferior à aplicada aos docentes no activo.

Entre outras preocupações, apontou também problemas infraestruturais em escolas de várias ilhas e criticou o modelo de agrupamento escolar implementado actualmente pelo Ministério da Educação, defendendo o modelo antigo permitindo assim as estruturas mais próximas das comunidades.

“A criança deve ficar na sua comunidade, por isso aconselhamos o Ministério da Educação a mudar o caminho e voltar àquilo que sempre tivemos, escolas com os seus gestores e liceus com os seus directores”, aconselhou.

Aquela responsável sublinhou ainda a existência de pressões sobre professores que manifestam críticas, defendendo maior abertura ao diálogo por parte das autoridades educativas.

Apesar dos desafios, ambas as organizações apelam à união da classe docente e ao engajamento na defesa dos seus direitos, reforçando a importância do papel dos professores na construção de um sistema educativo de qualidade em Cabo Verde.

DG/ZS

Inforpress/Fim

Partilhar