
Washington, 08 Abr (Inforpress) - O Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento este ano das economias de todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com excepção da Guiné-Bissau, esperando uma forte subida da inflação nestas economias.
De acordo com o relatório semestral sobre as economias da África subsaariana, hoje divulgado em Washington, a Guiné-Bissau deverá crescer este ano 5,3%, ligeiramente acima dos 5,2% que o Banco Mundial estimava em Outubro do ano passado.
Em sentido inverso, os economistas do Banco Mundial reviram em baixa todas as outras previsões de crescimento para os PALOP: Angola deverá crescer 2,4% e não 2,6%, como previsto em Outubro do ano passado, o mesmo acontecendo com Cabo Verde, que viu a previsão de expansão económica reduzida de 5,2% para 4,8%.
São Tomé e Príncipe deverá crescer 2,9%, e não 4%, como era previsto em Outubro, mas onde a revisão é mais significativa é em Moçambique, que deverá registar uma expansão de 0,9%, e não 3%, como era previsto em Outubro de 2025.
A Guiné Equatorial deverá registar mais uma recessão, com uma quebra de 3,5% na sua economia, o que compara com uma previsão de crescimento de 0,4% do PIB estimada pelo Banco Mundial em Outubro.
Justificada essencialmente com os efeitos da guerra no Médio Oriente, as novas previsões do Banco Mundial revelam uma significativa subida da inflação nestes países, com Angola a liderar este grupo, registando uma subida dos preços na ordem dos 15%, seguida de São Tomé e Príncipe, onde os preços deverão aumentar 11%.
Em Moçambique, a subida será de 7,5%, na Guiné Equatorial de 6,2%, na Guiné-Bissau de 5,8% e em Cabo Verde a inflação deverá ser de 3,2%, sendo que todos estes valores representam subidas face às previsões de Outubro de 2025, com destaque para a Guiné-Bissau, que viu a previsão quase triplicar, de 2% para 5,8%.
Em média, os PALOP deverão crescer 2%, menos de metade da média prevista para a África subsaariana, que deverá registar o mesmo crescimento do ano passado, 4,1%, menos 0,3 pontos percentuais que o previsto em Outubro do ano passado.
"Entre os países da região, algumas das maiores economias tiveram as suas previsões revistas em baixa para 2026, nomeadamente, Angola, Quénia, Moçambique, Nigéria, Senegal, África do Sul e Zâmbia", lê-se no relatório, que dá conta que "cerca de 60% dos países da região (29 de 47) registaram revisões em baixa nas suas previsões de crescimento para 2026".
As revisões em baixa das previsões de crescimento económico para a região revelam um empobrecimento do rendimento pessoal dos residentes na África subsaariana, com o Banco Mundial a alertar que 15 dos 47 países da região, ou seja, quase um terço, terá "um rendimento ‘per capita’ inferior ao nível de 2014" e em nove destes 15 países, o rendimento per capita é mais de 10% inferior ao de 2014.
"O declínio é particularmente grave em cinco países — Angola, Guiné Equatorial, República do Congo, Sudão do Sul e Sudão — onde o rendimento per capita é mais de 25% inferior ao nível de 2014", alertam ainda os economistas do Banco Mundial, explicando que são "países altamente dependentes das exportações de petróleo ou afectados por conflitos".
Em contrapartida, referem, 40% dos países da região (19 de 47) apresentam um rendimento ‘per capita’ pelo menos um quarto superior ao nível de 2014", e em cinco países, entre os quais Cabo Verde, o rendimento real ‘per capit’a em 2026 é pelo menos 45% superior ao nível de 2014".
Inforpress/Lusa
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