
Cabul, 14 Mar (Inforpress) – O chefe da diplomacia da China apelou ao diálogo e à moderação entre Afeganistão e Paquistão, numa conversa com o homólogo afegão, após semanas de bombardeamentos e fogo cruzado que fizeram dezenas de mortos.
Numa conversa telefónica com o chefe da diplomacia do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, Wang Yi alertou que o uso da força “só vai complicar a situação, intensificar as contradições e pôr em risco a paz e a estabilidade regional”.
O ministro expressou esperança de que Afeganistão e Paquistão – que descreveu como “vizinhos inseparáveis” – mantenham a calma, ajam com moderação e iniciem conversações diretas “o mais rapidamente possível” para alcançar um cessar-fogo e resolver as disputas através de negociações.
Muttaqi agradeceu os esforços da China em mediar o conflito e afirmou que o Afeganistão deseja ser uma fonte de estabilidade na região, reiterando que o território afegão não será utilizado para atacar países vizinhos.
As declarações surgem numa altura de crescente tensão entre Cabul e Islamabad, que desde o final de fevereiro têm trocado bombardeamentos e ataques transfronteiriços, numa escalada que matou dezenas de civis e centenas de soldados, segundo várias fontes.
Durante a conversa, ambos os ministros trocaram também opiniões sobre a situação no Irão e a crise em evolução no Médio Oriente.
A chamada faz parte de uma série de contactos diplomáticos recentes de Wang Yi com líderes regionais, nos quais Pequim reiterou a disponibilidade para mediar tanto o conflito entre o Afeganistão e o Paquistão como a guerra no Irão, em linha com a sua mensagem de promoção do diálogo para reduzir as tensões regionais.
A China, com interesses energéticos e comerciais na região e dependente de rotas como o estreito de Ormuz para parte das importações de petróleo, alertou nos últimos dias para o risco de a instabilidade poder afetar a segurança regional e o comércio internacional.
Após meses de escaramuças, os dois países vizinhos enfrentam-se desde 26 de fevereiro, quando o Afeganistão lançou uma ofensiva fronteiriça em resposta a ataques aéreos paquistaneses.
Desde então, ocorrem regularmente confrontos nas zonas fronteiriças e bombardeamentos em Cabul que causaram a morte de mais de seis dezenas de civis no Afeganistão.
O conflito provocou 115 mil deslocados internos no Afeganistão, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).
O Paquistão, que tem armas nucleares, e o Afeganistão são vizinhos do Irão, alvo de uma ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, que desencadeou uma nova guerra no Médio Oriente.
Inforpress/fim
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