
Tomar, 03 Mar (Inforpress) – O investigador português Jorge Malheiros destacou hoje, em Tomar, o contributo do tecido associativo cabo-verdiano na promoção da integração e na melhoria da qualidade de vida dos imigrantes em Portugal.
O professor universitário, autor de um estudo sobre o tecido associativo cabo-verdiano em Portugal, falava em declarações à Inforpress, à margem da conferência internacional sobre “Migrações: integração e serviços públicos na era digital”, que decorre de hoje a quarta-feira, 04, no Auditório Doutor José Bayolo Pacheco de Amorim, no Instituto Politécnico de Tomar.
Segundo investigador, o tecido associativo cabo-verdiano é “rico, antigo e com grande experiência”, tendo uma intervenção activa na influência das políticas públicas relacionadas com a imigração.
Conforme explicou, através da sua participação, estas organizações com um percurso consolidado, procuram que as lideranças políticas incorporarem na legislação e na implementação da legislação os processos que permitem melhores condições aos imigrantes.
De entre as principais áreas de intervenção, destacou o acesso à regularização, à nacionalidade, ao reagrupamento familiar e aos direitos sociais.
Apesar dos retrocessos registados recentemente em Portugal, referindo-se à nova lei de estrangeiros, Jorge Malheiros realçou que as associações cabo-verdianas têm procurado mitigar impactos negativos, defendendo um maior reconhecimento dos direitos dos imigrantes, sempre associado ao cumprimento dos seus deveres.
O objectivo, segundo ele, é garantir melhores condições de vida aos imigrantes e, progressivamente, um acesso mais amplo a direitos sociais e eventualmente políticos.
Por outro lado, informou que estas organizações desenvolvem uma acção directa junto das comunidades, como por exemplo, formação profissional, apoio aos jovens, alfabetização de adultos, actividades desportivas e projectos de melhoria da qualidade urbanística dos bairros como Cova da Moura, em Amadora e Talude, em Loures.
“Portanto, todas estas actividades mais locais e de proximidade, têm sido essenciais para melhorar o bem-estar da população, por um lado, e para que a integração na sociedade portuguesa faça de forma melhor”, sublinhou o investigador.
Na ocasião, destacou o papel de algumas destas associações cabo-verdianas na manutenção da ligação a Cabo Verde.
Para Jorge Malheiros, uma integração bem-sucedida em Portugal não implica o afastamento do país de origem, pelo contrário, o reconhecimento da diáspora por parte das autoridades cabo-verdianas e o diálogo constante entre as associações e instituições de cabo-verdianas vai contribuir para a filiação com o arquipélago.
Não obstante a consolidação do tecido associativo cabo-verdiano em Portugal, o académico defendeu a necessidade de novas lideranças e de um maior aprofundamento organizativo, com programas que facilitem acesso a financiamentos.
A conferência terá o seu ponto alto, esta quarta-feira, com uma homenagem ao docente e investigador cabo-verdiano Manuel Chantre.
FM/JMV
Inforpress/Fim
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