
Cidade da Praia, 03 de Março (Inforpress) – O primeiro-ministro afirmou hoje que as propostas apresentadas pelo economista Gunther Pauli, considerado uma referência mundial na economia azul, representam uma oportunidade estratégica para valorizar o potencial marítimo de Cabo Verde.
Para Ulisses Correia e Silva, isto reforça a posição do país como plataforma central no Atlântico.
As declarações foram feitas à margem da apresentação do livro do autor sobre as futuras novas economias em Cabo Verde, onde destacou o interesse demonstrado por Pauli em conhecer todas as ilhas e identificar políticas públicas capazes de transformar os recursos naturais em riqueza sustentável.
Segundo o chefe do Governo, Cabo Verde é “mais mar do que terra”, o que coloca grandes desafios, sobretudo na valorização dos recursos marítimos. Entre as áreas apontadas estão o hidrogénio verde, a biotecnologia azul, a pesca, os transportes marítimos e outras actividades ligadas ao mar, com vista à diversificação da economia nacional.
O governante sublinhou que a notoriedade internacional do autor — conhecido como o “pai da economia azul” — poderá contribuir para reforçar a imagem do país enquanto centro estratégico no mundo, destacando a sua localização geográfica e o potencial de desenvolvimento sustentável na vasta região onde se insere.
“O mar deve ser explorado com sustentabilidade, preservando o ecossistema e valorizando os recursos existentes”, afirmou, acrescentando que a centralidade de Cabo Verde constitui uma mais-valia tanto do ponto de vista económico como geoestratégico, embora esta última dimensão mereça análise própria.
Questionado sobre a possibilidade de o país produzir hidrogénio em grandes quantidades, conforme referido na obra, o primeiro-ministro considerou tratar-se de um desafio relevante, assegurando que o tema será aprofundado oportunamente.
A obra apresenta um conjunto de propostas orientadas para a transformação estrutural da economia cabo-verdiana, com enfoque na inovação, sustentabilidade e aproveitamento integral dos recursos marinhos.
Por sua vez, confrontado com a possibilidade de Cabo Verde produzir hidrogénio a partir do mar, Gunther Pauli admitiu que isto é “perfeitamente fazível” através da transformação da energia da ondulação do mar neste produto para abastecer os barcos que transitam no Atlântico.
Segundo este especialista, estudos revelam que o arquipélago tem capacidade para, em dez anos, produzir 100 mil toneladas de hidrogénio, o que, reforçou, converteria Cabo Verde no maior produtor do mundo de hidrogênio ao redor do Atlântico.
“Quero liderar, com um grupo de Cabo Verde, uma delegação para falar com as grandes linhas marítimas do mundo, para que Cabo Verde seja essa base de distribuição de hidrogénio no Atlântico, manifestou o considerado pai da economia azul.
Instado se é fácil conseguir financiamento para este tipo de projecto, disse que, havendo um mercado organizado, é fácil de mobilizar o capital.
O livro ora apresentado é fruto de viagens a todas as ilhas de Cabo Verde e de centenas de encontros com agricultores, cientistas, empresários, artistas e líderes comunitários.
LC/JMV
Inforpress/Fim
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