
Mindelo, 02 Mar (Inforpress) – Técnicos de Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe reuniram-se hoje, no Instituto do Mar (IMar), em São Vicente, para lançar as bases de um Centro de Excelência em Ciências Marinhas e Biodiversidade, sob a égide da Unesco.
Segundo a chefe da Secção para os Pequenos Estados Insulares da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Zulmira Rodrigues, a criação do centro prende-se com o facto de os três países enfrentarem “vulnerabilidades inerentes aos Pequenos Estados Insulares” e por pertencerem a” uma minoria linguística, o que lhes diminui o acesso a capacitações na área científica a nível mundial”.
“A nossa secção dos Pequenos Estados Insulares, em Paris, juntamente com o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais (Undesa), em Nova Iorque, decidiu criar este projecto especial para capacitar e apoiar os países no desenvolvimento da capacidade científica para investigação e formação académica, de forma a sustentar as ambições da economia azul dos três países e ajudá-los a melhor compreender o impacto das mudanças climáticas”, explicou.
Segundo a mesma fonte, na prática, haverá três áreas prioritárias definidas e cada país vai escolher aquela em que considera ter mais capacidade para desenvolver as componentes de investigação e de formação académica, mas que também possa servir os outros dois países.
“A ideia é criar um centro que sirva os interesses nacionais e que facilite a capacitação dos outros países da região. Porque, enquanto Pequenos Estados Insulares, há limitações de capacidade institucional, humana e de recursos, pelo que se impõe a criação dessas estruturas regionais de colaboração para melhor incentivar o desenvolvimento”, clarificou.
Para isso, informou que contam com os recursos humanos dos três países, sublinhando que, da parte de Cabo Verde, a técnica do Instituto do Mar (Ima), Yara Rodrigues, está a liderar o processo.
“O país tem de apostar numa estrutura mínima de recursos humanos e estrutura física, mas, ao mesmo tempo, queremos reforçar essa capacidade com contributos externos”, argumentou Zulmira Rodrigues, referindo que a Unesco conta com mais de 700 cátedras a nível mundial e redes universitárias que vão ajudar na capacitação.
Acrescentou ainda que vão participar várias universidades lusófonas de Portugal e do Brasil, além de universidades e centros de investigação alemães e espanhóis, cujos recursos humanos vão complementar a capacidade técnico-científica necessária ao desenvolvimento do projecto.
Ao nível do financiamento, a própria Unesco e o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU (Undesa) disponibilizarão verbas, estando em curso a mobilização de outros parceiros internacionais, como o Luxemburgo.
Este projecto alinha-se com as directrizes da Década das Nações Unidas da Ciência para o Desenvolvimento Sustentável e da Década do Oceano, ambas lideradas pela Unesco.
CD/CP
Inforpress/Fim
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