Presidente da República lamenta morte de Amélia Araújo e destaca o papel da “voz da luta” na Rádio Libertação

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Presidente da República lamenta morte de Amélia Araújo e destaca o papel da “voz da luta” na Rádio Libertação
19/02/26 - 11:36 am

Cidade da Praia, 19 Fev (Inforpress) – O Presidente da República, José Maria Neves, lamentou hoje o falecimento de Amélia Araújo, conhecida como “a voz da luta” na Rádio Libertação, ocorrido esta madrugada, na cidade da Praia, aos 93 anos.

Numa mensagem publicada na sua página oficial na rede social Facebook, o chefe de Estado manifestou o seu profundo pesar pelo desaparecimento físico da combatente da pátria, destacando o seu papel no seio do PAIGC, onde “deu vida à Rádio Libertação” e, através da palavra, contribuiu de forma marcante para a libertação dos povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

“Presto a minha homenagem à Combatente, que se armou até os dentes, literalmente, para, por palavras, lutar contra a subjugação e deu tudo de si para a reconstrução de Cabo Verde no pós-independência”, escreveu o mais alto magistrado da Nação.

José Maria Neves enalteceu o empenho da geração de 1960 e 1970, classificando Amélia Araújo e os seus contemporâneos como os “cabouqueiros da República”, cujos sacrifícios permitiram os alicerces do desenvolvimento e da democracia de que o país goza actualmente.

Para o Presidente da República, a melhor forma de honrar a memória da Amélia Araújo é prosseguir com o esforço de consolidação das liberdades e impulsionar a transformação socioeconómica de Cabo Verde.

“Cabo Verde está de luto”, concluiu, endereçando condolências à família e aos Combatentes da Liberdade da Pátria.

Amélia Araújo, angolana de origem cabo-verdiana, nasceu em Luanda, a 11 de Agosto de 1933.

Tornou-se amplamente conhecida pelos programas “Comunicado de Guerra” e “Programa do Soldado Português”, transmitidos pela Rádio Libertação, considerada o “canhão de boca” da luta, expressão atribuída ao líder, Amílcar Cabral.

A Rádio Libertação iniciou a emissão em 1967, enquanto o Jornal Libertação havia sido criado em 1960, assumindo-se ambos como instrumentos centrais da luta armada pela independência.

O protagonismo de Amélia Araújo na estação valeu-lhe o reconhecimento como a “Senhora do Canhão de Boca da Luta”, sendo a sua voz amplamente admirada pelas populações de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, que viam na rádio a principal fonte de informação sobre as acções no terreno.

Pelo seu percurso ímpar, Amélia Araújo foi condecorada pelo Estado de Cabo Verde, em 2015,  com o Primeiro Grau da Medalha de Serviços Distintos, num reconhecimento pelo seu papel histórico na comunicação social e na libertação nacional.

DG/CP

Inforpress/Fim

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