
Cidade da Praia, 05 Mar (Inforpress) – O engenheiro biomédico Artur Gonçalves afirmou que a nova central de oxigénio do Hospital Universitário Agostinho Neto garante produção contínua, canalização directa às camas e elimina riscos das garrafas, reforçando segurança dos pacientes e modernização tecnológica da instituição.
À margem da inauguração da infraestrutura, na capital, o especialista explicou que a central opera através do sistema de Absorção por Variação de Pressão (PSA), que transforma o ar ambiente em oxigénio medicinal com pureza superior a 90%, cumprindo normas internacionais.
“Em termos técnicos, temos aqui uma tecnologia que utiliza o ar ambiente e a electricidade para produzir oxigénio medicinal, garantindo qualidade e segurança para os pacientes”, afirmou Artur Gonçalves.
Segundo o responsável, o processo começa com a captação e filtragem do ar, retirando impurezas, monóxido de carbono e vapor de água. Em seguida, o ar tratado entra em torres com mineral chamado zeólitas, que absorve o azoto, permitindo passar apenas o oxigénio.
“O gerador aumenta a concentração de oxigénio do 21 por cento (%), que respiramos, para mais de 90%, chegando a 93%, mais ou menos 3%, conforme padrões internacionais”, detalhou o engenheiro biomédico.
A central tem capacidade instalada de 50 metros cúbicos por hora, distribuídos por duas linhas de produção de 25 metros cúbicos cada, que podem operar de forma independente conforme a procura.
Artur Gonçalves explicou ainda que todo o oxigénio será canalizado por tubagem de cobre medicinal diretamente até à cabeceira dos pacientes.
“Com este projecto, eliminamos as garrafas que circulam no hospital, que estão a 150 bar, uma pressão muito elevada. Ao canalizar o oxigénio, mitigamos significativamente os riscos de acidentes e facilitamos o acesso dos pacientes à medicação”, disse.
O engenheiro enfatizou que a central não apenas atende às necessidades actuais, mas também foi pensada para emergências futuras e pandemias, afiançando que este projecto garante que Cabo Verde terá oxigénio suficiente em caso de crises de saúde, com produção contínua dentro do hospital.
Artur Gonçalves revelou ainda que uma central idêntica será instalada em breve no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, com a mesma capacidade e design, canalizando oxigénio directamente às cabeceiras dos doentes, reforçando a autonomia nacional.
“Tudo foi pensado para o conforto e segurança do paciente. Estamos a elevar os padrões hospitalares em Cabo Verde e a preparar o sistema de saúde para o futuro”, concluiu.
CM/CP
Inforpress/Fim
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