São Lourenço dos Órgãos aposta na saúde mental dos funcionários para reforçar produtividade e bem-estar institucional

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São Lourenço dos Órgãos aposta na saúde mental dos funcionários para reforçar produtividade e bem-estar institucional
16/02/26 - 09:33 pm

João Teves, 16 Fev (Inforpress) – A Câmara Municipal de São Lourenço dos Órgãos reforçou hoje a aposta no bem-estar dos seus trabalhadores ao lançar uma iniciativa que coloca a saúde mental no centro das políticas internas, envolvendo funcionários e seus familiares.

Em declarações à Inforpress, o presidente da Câmara Municipal, Euclides Cabral, explicou que o protocolo permite aos funcionários e aos respetivos familiares o acesso a consultas, orientações e tratamentos especializados no Centro de Atendimento Psicológico (CAP), sublinhando que a medida representa um investimento direto na qualidade do ambiente laboral.

Segundo o autarca, uma instituição só funciona plenamente quando os seus trabalhadores estão emocional e psicologicamente equilibrados.

“Desde o início do mandato definimos como prioridade melhorar as condições de trabalho, e isso não depende apenas do salário, mas também do ambiente social e emocional”, afirmou. “Muitos profissionais aparentam estar bem, mas enfrentam dificuldades internas que afetam o desempenho.”

O autarca enfatizou a necessidade de eliminar o estigma em torno da saúde mental, destacando que procurar acompanhamento psicológico não é sinal de fraqueza, mas sim um ato de responsabilidade e preparação emocional, fundamental para garantir maior eficácia no exercício das funções públicas.

Por seu turno, o diretor-geral do Centro de Atendimento Psicológico de Cabo Verde, Jacob Vicente, parabenizou a autarquia por “compreender a importância de institucionalizar o apoio psicológico aos trabalhadores”.

Segundo explicou, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam perdas globais na ordem de um trilião de dólares devido à incapacidade produtiva relacionada com problemas mentais, além de números preocupantes ligados ao suicídio, depressão, ansiedade, absentismo e burnout. Para este responsável, muitas dessas situações têm origem ou agravamento no próprio local de trabalho.

Vicente sublinhou ainda que, por não se tratar de doenças físicas, a saúde mental continua a enfrentar falta de sensibilidade institucional, lembrando que o INPS não cobre consultas de psicologia e psiquiatria, o que torna o acesso mais difícil para muitas famílias.

O diretor-geral salientou, contudo, que a sociedade cabo-verdiana demonstra crescente abertura ao tema, destacando que o CAP, com clínicas em Santiago Sul e Norte, assegura também atendimento online para todos os municípios do país e para comunidades cabo-verdianas em onze países da diáspora, registando procura de diferentes estratos sociais.

Mais do que a formalização do acordo “Saúde Mental em Primeiro Lugar”, a autarquia promoveu uma palestra de sensibilização destinada aos seus colaboradores, com o objetivo de esclarecer o alcance da parceria estabelecida com o CAP e combater preconceitos associados ao acompanhamento psicológico.

Com a apresentação do tema “Saúde mental e bem-estar em primeiro lugar”, reforçou-se a ideia de que investir no equilíbrio emocional dos trabalhadores é também investir na qualidade dos serviços prestados à população.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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