
Mindelo, 14 Fev (Inforpress) – A ausência de alguns grupos no desfile oficial do Carnaval de São Vicente deixou os mindelenses receosos quanto à qualidade do espectáculo, mas as agremiações que vão desfilar asseguram que poderão superar a performance do ano passado.
Considerado “um dos mais emblemáticos espectáculos culturais” de Cabo Verde, com “grande impacto social e turístico”, o Carnaval de São Vicente tem no desfile oficial o seu “ápice da festa”.
Este ano, apenas o Cruzeiros do Norte, com o enredo “História dourada com pedras negras”, e o Flores do Mindelo, com o enredo “Mindelo é uma Flor que não murcha por ser resistente”, vão a concurso.
Soraia Mártir, técnica comercial de 33 anos, afirmou à Inforpress que a competição limitada a dois grupos levanta dúvidas sobre a capacidade de manter a força e o brilho característicos do Carnaval mindelense.
Para ela, apesar do impacto económico positivo que o evento gera para hotéis, restaurantes, transportes, bares e vendedeiras, o espectáculo deste ano estará “enfraquecido” pela ausência das outras agremiações.
“Respeito muito o percurso e a resiliência dos grupos Cruzeiros do Norte e Flores do Mindelo, porque, mesmo com falta de patrocínios, sempre desfilam. Mas a ausência dos outros grupos enfraquece o desfile deste ano. Vamos sentir falta da fúria do Monte Sossego e do brilho das beldades do Vindos do Oriente”, disse Soraia.
O professor Lixiel Cruz, de 34 anos, considerou que “ter um Carnaval com apenas dois grupos vai deixar muito a desejar” e defende compensações para que a performance se mantenha em alto nível.
Paulino Monteiro, de 63 anos, acrescentou que mais grupos significam maior disputa e melhor qualidade.
“Com dois grupos em vez de cinco, a qualidade tende a ser menor. O Carnaval é uma festa dinâmica, colorida e cheia de folia. Por isso quanto mais grupos participarem, mais ricos serão os ingredientes do espectáculo”, afirmou Paulino Monteiro, para quem ter mais grupos dará às pessoas mais possibilidade de avaliar o espectáculo.
Em contrapartida, o jovem Richard Júnior, de 25 anos, garante que mesmo com apenas dois grupos, “a boa festa vai continuar, porque o Carnaval de São Vicente é singular”.
Os responsáveis pelos grupos, por sua vez, asseguram que os mindelenses terão um desfile de qualidade.
“Estamos nos preparativos finais e estamos bem, depois de momentos menos bons que já ultrapassamos. Tudo está no caminho certo para conseguirmos o nosso objectivo de apresentar um grande desfile ao povo de São Vicente”, afirmou Jaílson Juff, presidente do Cruzeiros do Norte.
Segundo o carnavalesco, o grupo contará com mais de mil foliões, quatro carros alegóricos, 17 alas e outras surpresas.
A integrante da direcção do Flores do Mindelo, Eloisa Monteiro, revelou que os preparativos estão no ponto nove de uma escala de zero a dez, faltando apenas ajustar alguns detalhes. Informou ainda que o grupo terá 11 alas, cerca de mil foliões, três carros alegóricos e um tripé, garantindo que “o desfile superará o do ano passado”.
Por sua vez, o vereador da Câmara Municipal de São Vicente, José Carlos da Luz, afirmou que “tudo está pronto para um bom espectáculo”, com bancadas instaladas para cerca de quatro mil espectadores, cujos bilhetes serão postos à venda a partir de sábado.
O autarca informou ainda que a câmara já articulou com a Polícia Nacional e outras forças de segurança para garantir as condições de segurança durante o desfile.
Este ano, acrescentou, os grupos farão duas voltas no percurso, como acontecia antigamente, e serão avaliados por três postos de jurados, localizados na Rua de Lisboa, Avenida Baltazar Lopes (Rua Machado) e Rua 5 de Julho.
Além do desfile de terça-feira, o Carnaval de São Vicente conta com animação de mais de 20 grupos espontâneos provenientes de várias zonas da ilha de São Vicente e ainda o desfile dos professores que tradicionalmente saem com trajes feitos com materiais reciclados.
CD/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar