
Calheta, 02 Fev (Inforpress) – Agricultores de várias localidades do município de São Miguel vão promover, no dia 07 de Fevereiro, uma manifestação para alertar as autoridades locais e nacionais sobre os prejuízos causados pelas pragas de macacos e galinhas-do-mato nas ribeiras e zonas agrícolas do concelho.
A informação foi avançada à Inforpress por Firmino Gomes Afonso, agricultor residente em Monte Pousada e porta-voz da iniciativa, que explicou que a manifestação visa “exigir soluções urgentes e alternativas eficazes” para permitir que os agricultores continuem a trabalhar no campo.
Segundo o porta-voz, apesar dos apelos do Governo para o aumento da produção local, os agricultores “não estão a conseguir desfrutar do seu trabalho”, uma vez que as pragas têm devastado as culturas e comprometido a normal actividade agrícola.
Afonso acrescentou que os macacos e as galinhas-do-mato já não se limitam às propriedades agrícolas, estando também a invadir residências.
O agricultor sublinhou ainda que, em algumas encostas, há propriedades que foram abandonadas, por os proprietários não conseguirem fazer face aos constantes ataques destes animais.
“Trata-se de comunidades maioritariamente constituídas por idosos e crianças. Muitos idosos passam o dia inteiro no campo, desde as 06:00 até ao anoitecer, a guardar as plantações”, explicou.
Para afugentar as pragas, os agricultores recorrem a meios manuais como fundas, bombas artesanais feitas com alumínio e foguetes, técnicas que, segundo Afonso, já não estão a surtir efeito.
A situação afecta não só Monte Pousada, mas também localidades como Ribeira Principal, Palha Carga, Achada Monte, Achada Bolanha, Espinho Branco, Pilão Cão, entre outras zonas do município de São Miguel.
Nessas localidades pratica-se maioritariamente a agricultura de sequeiro, com culturas como feijão, milho, batata, abóbora e mandioca.
No caso do feijão-congo, o período de guarda pode estender-se de um ano para o outro, exigindo vigilância permanente para garantir algum sustento às famílias.
Firmino Gomes Afonso apelou à adesão de todos os agricultores das zonas afectadas à manifestação, que terá lugar no centro da cidade de São Miguel, a partir das 10:00, considerando a situação “necessária e urgente”.
O porta-voz considerou que algumas soluções que possam ser apresentadas não serão viáveis a longo prazo, defendendo, entre outras medidas, a criação de licenças para pessoas devidamente identificadas praticarem a caça controlada, como forma de reduzir a pressão das pragas.
A manifestação pretende igualmente chamar a atenção para o facto de o problema afectar não apenas São Miguel, mas vários municípios de Santiago Norte, estranhando que a situação ainda não tenha sido debatida no Parlamento, apesar de ser do conhecimento geral.
Refira-se que, em Setembro de 2025, a Assembleia Municipal de São Miguel realizou uma visita a várias localidades do concelho, incluindo encontros com agricultores.
Na ocasião, o presidente do órgão, Salvador Silveira, reconheceu as dificuldades acrescidas enfrentadas pela classe agrícola devido aos ataques de macacos e galinhas-do-mato, tendo apelado à intervenção do Governo, do Ministério da Agricultura e Ambiente e de instituições de protecção animal.
Salvador Silveira defendeu igualmente a realização de um fórum público, em parceria com a Câmara Municipal de São Miguel, para debater a problemática e encontrar soluções eficazes e sustentáveis que travem o abandono do campo em zonas consideradas férteis.
MC/JMV
Inforpress/Fim
Partilhar