
Sal Rei, 26 Jan (Inforpress) – O coordenador do projeto “Desplastificar Boa Vista” apelou hoje à mobilização de parceiros e financiamentos para adquirir equipamentos industriais e potencializar a transformação de resíduos plásticos em produtos comerciais, garantindo a sustentabilidade ambiental e financeira da unidade de reciclagem.
No âmbito do Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado hoje, o coordenador do projeto, Carlos Reis, explicou que o projeto, embora operacional há dois anos, enfrenta um entrave técnico tanto na parte de sensibilização como em terreno e produção.
"O nosso grande handicap ainda é o equipamento. Precisamos de um bom triturador para reduzir o volume do plástico e de prensas para produzir mobiliário", afirmou, destacando que a falta de recursos financeiros trava a capacidade de dar uma maior resposta à poluição marinha na ilha.
Segundo o mesmo, o fortalecimento tecnológico é uma prioridade atualmente, a unidade funciona com meios básicos, centrada em pequenas peças de artesanato e vassouras.
Contudo, o coordenador projeta um futuro em que o plástico recolhido em hotéis, restaurantes e praias seja transformado em mobiliários como mesas e cadeiras.
Para tal, o projeto necessita de investimento em máquinas específicas como uma prensa quente e uma extrusora, equipamentos que ainda não foram adquiridos por falta de verbas.
"A ideia é que o projeto seja financeiramente autónomo no futuro. O plástico transformado tem potencial para gerar receitas que sustentem o espaço, mas para isso precisamos deste investimento inicial em tecnologia", reforçou o responsável.
Carlos Reis indicou que o "Desplastificar Boa Vista" funciona como uma parceria público-privada que une a sociedade civil, a câmara municipal e várias associações, como clube Onze Estrelas, Varandinha, Bios Cabo Verde e Natura 2000.
Mas, apesar deste esforço conjunto, a equipa é composta por apenas dois técnicos, com o apoio da autarquia na parte dos recursos humanos.
O coordenador revelou que o próximo passo estratégico para atrair investimento vai ser a formalização do projeto como uma associação própria sem fins lucrativos, mudança que visa abrir portas a financiamentos internacionais e parcerias mais sólidas com o setor privado e operadores turísticos.
Mesmo com as limitações de transporte e transformação, o projecto prevê para breve a instalação do primeiro ecoponto em Sal Rei e o início de campanhas "porta a porta", com o objetivo é sensibilizar a população para a separação de lixo.
O objectivo é garantir que o plástico chegue à unidade pronto para ser processado, em vez de terminar na lixeira municipal ou no oceano.
"Queremos mostrar que, se a sociedade civil se juntar, podemos melhorar a nossa condição ambiental, mas para isso precisamos de braços e de recursos para que este esforço não se perca", concluiu Carlos Reis.
MGL/AA
Inforpress/Fim
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