Fogo: Criadores das zonas sul e centro alertam para "uma das piores crises" e pedem intervenção urgente do Governo

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Fogo: Criadores das zonas sul e centro alertam para "uma das piores crises" e pedem intervenção urgente do Governo
20/01/26 - 12:00 pm

São Filipe, 20 Jan (Inforpress) – Os criadores de gado das zonas sul e centro da ilha do Fogo alertam para uma das piores crises da pecuária dos últimos anos, causada pela escassez de chuvas e falta de pastos.

A situação, segundo os criadores, ameaça a sobrevivência dos animais e o sustento de dezenas de famílias que dependem exclusivamente da actividade de pecuária.

Manuel Santos Monteiro, criador com mais de 20 anos de experiência, afirma que 2026 está a ser um ano péssimo para os criadores, porque, explicou, em 2025 choveu muito pouco e os pastos existentes são restos de 2024 e em quantidade insuficiente para alimentar os animais.

“Um saco de milho custa cerca de 2.600 escudos sem transporte e a ração quase 3.300 escudos. Um criador, que é também chefe de família, não consegue sustentar os animais e a própria família”, lamenta o criador que critica a falta de apoio do Ministério da Agricultura, apesar do discurso de incentivo à agricultura e à pecuária.

“O governo diz que aposta no sector, mas os criadores são esquecidos. Se há linhas de crédito, podemos fazer empréstimos porque a pecuária dá rendimento e podemos pagar o próprio crédito”, afirma, alertando que, a partir de Março muitos criadores poderão perder grande parte do seu efectivo.

“Tenho quase 30 cabras em fase de reprodução, mas estão fracas e sem força para amamentar as crias devido à falta de pasto”, explica Manuel Monteiro que apela para que os criadores se organizem colectivamente para reivindicar apoio.

A mesma preocupação é partilhada por Augusto, outro criador da localidade de Monte Grande, que considera este o pior ano desde 2014.

“Naquela altura (2014), o governo distribuiu vales-cheque para compra de ração e milho, mas este ano não houve qualquer apoio”, recorda.

Segundo o mesmo, o elevado preço de pastos torna impossível a manutenção do gado e apontou como exemplo que a palha chega a custar entre 300 e 400 escudos por pequeno molho, e acrescentou que o milho é vendido a 2.500 e ração a mais de 3.000 escudos/sacos.

“Não conseguimos comprar palha, milho, água e ração ao mesmo tempo. O rendimento deste ano não será suficiente para garantir a sobrevivência dos animais”, alerta.

Os criadores defendem que o Governo e as instituições públicas devem intervir em anos de crise severa, como o actual, sobretudo por se tratar de uma classe social menos favorecida e sem fácil acesso ao crédito.

Entre Monte Grande e Lacacã, estima-se a existência de cerca de uma centena de criadores, entre pequenos e grandes, além de várias pessoas ligadas à produção de queijo e comercialização, o que demonstra a importância económica e social da pecuária na região.

Quanto às alternativas, os criadores afirmam que a produção de pastos em Monte Grande não é viável devido à falta de água, sendo apenas possível em zonas mais baixas onde o acesso à água é mais barato.

Os criadores temem que, sem medidas urgentes, muitos não consigam chegar à próxima época de chuva com os seus efectivos, comprometendo não só a actividade da pecuária, mas também o sustento de inúmeras famílias.

JR/CP

Inforpress/Fim

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