Portugal: Dirigentes culturais destacam papel das mulheres na preservação do batuque e da tabanca na diáspora

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Portugal: Dirigentes culturais destacam papel das mulheres na preservação do batuque e da tabanca na diáspora
31/07/26 - 08:06 pm

Lisboa, 31 Jul (Inforpress) – As dirigentes culturais Cristina Tavares e Ilda Vaz defenderam hoje, em Lisboa, um maior envolvimento dos jovens na preservação do batuque e da tabanca, destacando o papel das mulheres na transmissão destas manifestações culturais cabo-verdianas na diáspora.

As declarações foram feitas à Inforpress à margem das comemorações do Dia Nacional do Batuque e do Dia da Mulher Africana, promovidas pelo Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em parceria com a Associação Maense em Portugal, o músico Jair de Pina e os grupos que lideram.

Ilda Vaz, líder do grupo Batucadeiras Bandeirinhas Panafrikanistas, afirmou que o batuque continua a ser um símbolo da identidade cabo-verdiana e uma importante forma de manter vivas as raízes culturais entre os emigrantes.

"As mulheres têm liderado os grupos de batuque na diáspora, porque carregam esta tradição consigo. O batuque é um sentimento que se vive. Para o compreender é preciso mergulhar nas nossas raízes e conhecer a sua história”, afirmou.

Questionada sobre a introdução de instrumentos modernos no batuque, reconheceu que já participou em gravações com novas sonoridades, mas defendeu que a essência desta manifestação cultural deve assentar na voz e na txabeta, instrumento utilizado como percussão”, defendeu.

“Modernidade a mais já não é batuque. Nós herdamos esta tradição e temos a responsabilidade de preservá-la”, sustentou.

Segundo explicou, o seu grupo, que já disponibiliza várias músicas nas plataformas digitais, participa regularmente em festivais e iniciativas culturais promovidas pela comunidade cabo-verdiana em Portugal.

Por sua vez, Cristina Tavares, responsável pelo grupo Tabanca na Diáspora, considerou que a tabanca vai muito além da música, representando um espaço de convivência, solidariedade e preservação da memória colectiva.

"A tabanca é a nossa alma. Vivemo-la desde a infância e, apesar das dificuldades, temos a responsabilidade de passar às novas gerações", afirmou.

A dirigente explicou que o projecto foi criado em 2019, mas a pandemia de covid-19 condicionou o seu desenvolvimento, tendo as actividades retomadas em 2024.

Este ano, o grupo organizou em Portugal as festas de São João, em Junho, e de São Gonçalo, em Julho.

Além destas celebrações, o grupo tem participado em diversos eventos culturais e está a ultimar a criação da Associação da Tabanca na Diáspora, visando dinamizar e valorizar esta manifestação cultural que também é Património Cultural Imaterial Nacional.

Cristina Tavares salientou, contudo, que a organização dos cortejos da tabanca envolve elevados custos logísticos, devido ao número de participantes, defendendo um maior apoio financeiro das autoridades cabo-verdianas às associações da diáspora.

As duas responsáveis congratularam-se com o crescente interesse dos jovens pelas tradições cabo-verdianas, mas defenderam um reforço do apoio financeiro das autoridades cabo-verdiana ara a realização de workshops, actuações regulares, acções de formação e projectos de valorização do património cultural na diáspora.

O evento incluiu actuações de batuque, tabanca e funaná, bem como um workshop de percussão orientado pelo músico Jair de Pina, reunindo dezenas de participantes no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa.

As comemorações assinalaram simultaneamente o Dia Nacional do Batuque e o Dia da Mulher Africana, homenageando o papel das mulheres na preservação e transmissão do património cultural cabo-verdiano.

FM/JMV

Inforpress/Fim

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