CPLP/30 Anos: Guiné-Bissau é parte "do ADN" da organização - MNE português

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CPLP/30 Anos: Guiné-Bissau é parte "do ADN" da organização - MNE português
12/07/26 - 10:52 am

Lisboa, 12 Jul (Inforpress) - O ministro dos Negócios Estrangeiros português frisou à Lusa que a Guiné-Bissau, actualmente suspensa da CPLP, é parte "do ADN" da organização, e que os Estados-membros desejam que se ultrapasse rapidamente a atual conjuntura do país.

"A Guiné-Bissau é um dos elementos do ADN da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], sobre isso não há dúvida nenhuma e não há nenhum dos nove Estados[-membros] - neste caso dos oito restantes - que não pense isso e que não queira rapidamente superar este momento, digamos, mais difícil, sem nunca esquecer o contributo da Guiné-Bissau ao comemorar os 30 anos [da organização lusófona]", declarou, por telefone, Paulo Rangel, numa entrevista feita no âmbito do aniversário da organização lusófona.

Nesse sentido, o governante frisou que, quando se comemoram os 30 anos da organização, comemoram-se também os 30 anos da presença, que classificou de indispensável e genética, "fazendo parte do código genético", da Guiné-Bissau na comunidade.

O chefe da diplomacia portuguesa realçou que, apesar da suspensão do país da CPLP, devido ao golpe de Estado militar de 26 de novembro de 2025, os países querem "rapidamente poder ultrapassar esse estado de suspensão", mas, para isso, todos têm de cooperar.

"Não são apenas os Estados da CPLP que tomaram essa decisão [de suspensão], é também a Guiné-Bissau que tem de cooperar para tal e tem de trabalhar nesse sentido [de retoma da normalidade democrática], e é isso que nós temos vindo a fazer, mas agindo em pleno respeito", alertou o governante, que também pediu a contribuição do povo guineense. 

Sobre a missão de bons ofícios, que estava prevista para fevereiro, mas foi cancelada na véspera, o chefe da diplomacia portuguesa explicou que esta "depende do entendimento de todos e também de uma aceitação da própria Guiné-Bissau".

"Tem de haver aí também essa ponte. A missão de bons ofícios pode ter sentido num certo quadro ou pode não ter sentido nesse quadro", acrescentou.

Ainda sobre a importância da Guiné-Bissau, o ministro indicou que este país foi, "do ponto de vista do movimento das independências, o primeiro a ser independente". Nesse sentido, acrescentou, "teve um papel muito importante na criação desta comunidade [lusófona], uma comunidade de Estados iguais e fraternos e com grandes relações".

Nesse seguimento, reiterou que, sobre Portugal, as relações com a Guiné-Bissau são de "grande fraternidade entre os dois povos" e que há um total respeito pela "soberania dos guineenses".

Os guineenses foram a eleições em 23 de novembro de 2025, mas acabaram interrompidas, sem a divulgação dos resultados, por um golpe de Estado em que os militares tomaram o poder.

A oposição considerou tratar-se de um "golpe palaciano" e de "uma encenação" do anterior Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, reclamou vitória na primeira volta, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, pela primeira vez, foi impedido de ir a eleições por decisão judicial.

Estão previstas eleições para 06 de Dezembro e o Conselho Nacional de Transição - órgão criado pelos militares que tomaram o poder, substituindo o parlamento e assumindo competências de fiscalização e alteração constitucional -, afirmou, em junho, que as próximas eleições vão decidir se a Guiné-Bissau continua a ser membro da CPLP.

A CPLP, que assinala 30 anos dia 17 de Julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Inforpress/Lusa

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