
Adis Abeba, 26 Ago (Inforpress) - Os ministros da Saúde africanos adotaram hoje um plano que compromete formar, empregar e reter mais de três milhões de profissionais da área no continente até 20235, com o objetivo de "fortalecer os sistemas de saúde" no continente.
“A África comprometeu-se coletivamente em transformar um dos pilares fundamentais dos seus sistemas de saúde”, declarou o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, Mohamed Yakub Janabi, na 17.ª sessão do Comité Regional da organização para o continente, que está a realizar-se esta semana na capital etíope, Adis Abeba.
Segundo Janabi, ao adotar a Agenda Africana para a Força de Trabalho em Saúde 2026-2035, os “estados-membros reconheceram que a formação de profissionais de saúde é apenas o começo”.
O responsável sublinhou que é também necessário criar oportunidades, apoiar e melhorar as condições dos profissionais.
Este plano também procura fortalecer os mercados de trabalho dos sistemas de saúde africanos “por meio de um melhor planeamento, educação, emprego e retenção”.
A agenda “exige investimentos coordenados para garantir que os países tenham a força de trabalho competente, motivada e bem apoiada necessária para atender às crescentes necessidades de saúde” do continente africano, enfatizou a agência das Nações Unidas.
Os centros de saúde em África enfrentam falta de pessoas, estimando-se que um milhão de profissionais de saúde qualificados estejam desempregados, um problema que afeta particularmente os recém-formados, de acordo com a OMS.
Em diversos países de África, mais de metade dos enfermeiros, médicos e parteiras recém-formados não conseguem encontrar emprego logo após a graduação.
Esta realidade, segundo a OMS, demonstra “a necessidade urgente de uma melhor coordenação na formação de profissionais de saúde com a criação de empregos, o financiamento sustentável e o planeamento a longo prazo”.
Para colmatar esta lacuna, seria necessário um investimento adicional entre quatro e seis dólares (entre 3,43 e 5,14 euros) por pessoa anualmente, o que geraria “benefícios económicos e sociais significativos”, uma vez que cada dólar (cerca de 86 cêntimos de euro) investido em pessoal de saúde pode gerar um retorno de até 10 dólares (cerca de 8,57 euros).
“Estes dados reforçam a ideia de que investir em profissionais de saúde não é apenas uma prioridade para a saúde, mas também um investimento inteligente para o futuro da África”, concluiu a OMS.
Os ministros chegaram a este compromisso após um êxodo crescente para o norte global nos últimos anos de profissionais de saúde africanos em busca de novas oportunidades diante da falta de recursos, das más condições de trabalho e da escassez de empregos nos seus países.
A reunião de Adis Abeba, que se estende até sexta-feira, também ocorre quando há cortes drásticos na ajuda internacional impostos pelos Estados Unidos e vários países europeus desde o ano passado, que colocaram em risco a saúde e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em África.
Inforpress/Lusa
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