
Cidade da Praia, 26 Ago (Inforpress) – A escritora e académica cabo-verdiana Mana Guta reclamou hoje mais oportunidades e condições de publicação para jovens escritores e autores em língua cabo-verdiana, defendendo maior financiamento, circulação e divulgação das obras.
Em entrevista à Inforpress a escritora diz que os autores que mais precisam de visibilidade são os jovens, os que vivem nas periferias, os que escrevem em língua cabo-verdiana e aqueles que não dispõem de editoras.
A também professora universitária defendeu, por isso, maior divulgação e circulação das obras e melhores condições de financiamento, de modo a permitir aos autores, sobretudo aos mais jovens, ultrapassar as dificuldades de publicação.
A escritora apelou igualmente a um “olhar mais generoso” para quem procura publicar pela primeira vez, considerando necessário criar oportunidades para novos autores.
A inclusão constitui outra dimensão da sua intervenção literária. Mana Guta explicou que, quando começou a trabalhar nesta área, o objectivo era levar textos de fruição já consagrados a leitores com necessidades especiais.
Actualmente, considera que se está perante uma nova etapa, em que essas pessoas passam também a assumir o papel de autores, defendendo políticas de promoção e acesso à cultura que garantam maior diversidade na produção literária.
Com mais de duas décadas de experiência no ensino superior, Mana Guta identificou como uma das maiores recompensas da docência “o milagre que acontece na sala de aula”, pela possibilidade de tocar e marcar positivamente a vida dos estudantes.
Aos jovens que pretendem fazer da literatura uma forma de compreender e transformar Cabo Verde, Mana Guta deixou uma mensagem: “Que leiam e amem. Que se deixem acontecer e sejam tudo o que a leitura e o amar lhes permitir ser.”
JMV/CP
Inforpress/Fim
Partilhar