
Tarrafal, 21 Fev (Inforpress) – Uma conversa aberta realizada hoje no município do Tarrafal incentivou a denúncia e o debate sem tabus sobre o assédio sexual, num encontro promovido pela Associação Delta Cultura Cabo Verde com participação da oradora Lua Pires.
A actividade integrou um ciclo de debates promovido pela associação com o objectivo de criar um espaço seguro de reflexão, diálogo e partilha sobre temas sociais actuais, reforçando o pensamento crítico e o envolvimento cívico da comunidade.
Em declarações à Inforpress, Lua Pires explicou que a discussão partiu do seu artigo “Prostituição política em Cabo Verde”, e, à plateia, reforçou a necessidade de compreender os mecanismos do assédio sexual na sociedade cabo-verdiana e avançar com passos concretos para a sua desconstrução.
Entre esses passos, destacou a importância de falar abertamente sobre o tema, quebrar tabus, reconhecer o assédio como uma forma de violência sexual e incentivar a denúncia e o apoio às vítimas.
A oradora considerou que o silêncio e a normalização dessas práticas dificultam a resolução do problema, defendendo que a sociedade precisa reconhecer as dinâmicas existentes em diferentes espaços, como universidades, instituições e ambientes políticos.
Para a activista, compreender essas estruturas ajuda a prevenir situações mais graves de violência sexual.
Numa plateia maioritariamente feminina, Lua Pires manifestou o desejo de maior participação de mulheres no debate, embora, considerou que a conversa representou um “passo positivo”, destacando a “boa energia” do encontro e a consciencialização gerada em torno do tema.
Por sua vez, Florian Wegenstein da associação Delta Cultura, explicou que o convite a Lua Pires surgiu devido ao trabalho que a oradora tem desenvolvido na análise e discussão de temas ligados ao assédio sexual e às dinâmicas sociais em Cabo Verde, sobretudo através de reflexões públicas e do artigo da sua autoria que aborda o fenómeno do assédio institucional.
Nesta senda, afirmou que a iniciativa trouxe ideias de acções futuras, incluindo a criação de espaços de escuta e denúncia, sublinhando que a organização pretende continuar a promover debates semelhantes, especialmente junto de crianças, adolescentes e jovens, incentivando o pensamento crítico e o questionamento social.
Os participantes também consideraram o encontro pertinente, defendendo mais espaços seguros para acolher relatos de assédio e apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade.
No artigo de opinião intitulado “Prostituição política em Cabo Verde”, da autoria de Lua Pires, a autora reflecte sobre o assédio sexual institucional e analisa como determinadas relações de poder, sobretudo em ambientes políticos e institucionais, podem expor mulheres e outras pessoas a situações de pressão, troca de favores e vulnerabilidade.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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