
Mindelo, 03 Mar (Inforpress) – A União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID) acusou hoje o Governo de “impor o projecto de aterro controlado” em São Vicente quando se sabe que “há outras soluções sustentáveis, tecnicamente fundamentadas e pensadas para as próximas gerações”.
Esta crítica foi feita em conferência de imprensa pelo deputado da UCID António Monteiro que considerou que questões estruturais como a gestão de resíduos “não podem ser tratadas como peça de propaganda eleitoral”.
Por isso, questionou se a implementação do projecto, de 70 milhões de escudos, anunciado pelo Governo, é uma “decisão técnica amadurecida e estrategicamente planeada para a ilha” ou se é uma “medida apresentada no calor da campanha eleitoral para enganar os incautos”.
“São Vicente precisa de uma solução estrutural para os resíduos sólidos urbanos. Um aterro controlado pode representar uma melhoria face às situações que vivemos actualmente. Mas é fundamental dizer com clareza que um aterro controlado, por si só, não é uma solução moderna e definitiva”, afirmou.
Segundo António Monteiro, o que está em causa é qual o modelo de gestão de resíduos que se quer para São Vicente. Isto porque, elucidou, com o projecto do aterro controlado vai-se atirar o lixo e depois cobri-lo com camadas de terra.
No seu entender, a ilha precisa de um modelo que proteja a saúde pública, reduza os custos a médio e longo prazo, minimize o impacto ambiental e esteja alinhado com os desafios das alterações climáticas.
“Um dos grandes problemas ambientais dos aterros é a emissão de metano. Quando os resíduos orgânicos são enterrados, entram em decomposição e, sem oxigénio, libertam uma grande quantidade de gás metano, com efeito de estufa avassalador, que chega a ser 40 vezes mais potente do que o dióxido de carbono”, lembrou.
Segundo António Monteiro, mesmo um aterro controlado, se não tiver uma separação prévia e uma captação eficiente de biogás, como é o caso do projecto para São Vicente, continuará a gerar emissões significativas durante décadas.
“O que nós precisamos é de reduzir, reutilizar, reciclar e valorizar, e só no fim depositar. Isto significa que a infra-estrutura crítica não é o aterro, mas sim a triagem e o desvio dos resíduos orgânicos, que, não acontecendo, acabará por hipotecar o projecto do aterro controlado de São Vicente”, argumentou.
O deputado lembrou ainda que, desde 2016, a UCID tem estado sistematicamente a apresentar um projecto financiado pelos Engenheiros Sem Fronteiras Suecos, com possibilidade de criar 40 postos de trabalho, mas tanto a Câmara Municipal de São Vicente como o Governo rejeitaram o projecto.
“Era uma incineração que, tendo em conta os estudos feitos na altura pelos Engenheiros Sem Fronteiras Suecos, iria produzir aproximadamente 270 metros cúbicos de água por dia e uma potência de 700 quilowatt-hora”, destacou, acrescentando que este projecto seria uma combinação de um sistema que poderia produzir água e energia eléctrica.
CD/HF
Inforpress/Fim
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