
Mindelo, 21 Out (Inforpress) – O artista plástico português José Paiva inaugura sexta-feira, no Mindelo, a exposição “Se tivesse tempo – desenho, tempo desejante e de-mais”, dedicada à reflexão sobre o tempo, a natureza, a criação artística e o mundo contemporâneo.
A mostra, que faz parte das programações do Centro Cultural do Mindelo para o mês de Outubro e que estará patente na galeria Luísa Queirós no Centro Nacional de Arte Artesanato e Design (CNAD), reúne desenhos que exploram a relação entre arte e realidade, através de um processo criativo marcado pela lentidão, pela atenção ao detalhe e pela reflexão sobre as questões sociais, políticas e ambientais do presente.
No texto que acompanha a exposição, o artista associa o acto de desenhar à possibilidade de recuperar o silêncio e o tempo necessários à criação, escrevendo: “poderia usufruir do silêncio diluído no prazer que comporta quem desenha”.
A mostra aborda as desigualdades, a exclusão e os conflitos contemporâneos, numa perspectiva que recusa a neutralidade da arte perante a realidade.
No seu texto, José Paiva manifesta o desejo de estar ao lado daqueles “que são afastados do uso do seu tempo” e denuncia a desumanidade que marca o presente.
Os desenhos, incluindo representações de árvores, surgem como símbolos de resistência, esperança e possibilidade de reconstrução. A natureza assume, assim, uma dimensão que ultrapassa a representação estética, convocando a reflexão sobre a destruição ambiental e a persistência da vida perante a adversidade.
José Paiva é artista plástico, investigador e professor emérito da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
O seu percurso inclui exposições em Cabo Verde e noutros países, bem como projectos ligados à arte, à educação artística e à interculturalidade.
A exposição “Se tivesse tempo – desenho, tempo desejante e de-mais” estará patente ao público até 21 de Novembro, com entrada livre.
CD/HF
Inforpress/Fim
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