São Vicente: Associação de Ribeira de Vinha reclama contadores para reduzir conflitos na distribuição de água da ETAR

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São Vicente: Associação de Ribeira de Vinha reclama contadores para reduzir conflitos na distribuição de água da ETAR
20/09/26 - 01:09 pm

Mindelo, 20 Set (Inforpress) – O presidente da Associação Comunitária de Ribeira de Vinha, Juvenal Gomes, pediu hoje a instalação de contadores nas parcelas agrícolas para garantir maior equilíbrio na distribuição da água e reduzir os conflitos entre os agricultores da localidade.

Em declarações à Inforpress, Juvenal Gomes explicou que a falta de contadores tem estado na origem de reclamações e conflitos entre os agricultores porque não conseguem medir a quantidade de água que chega a cada parcela, fazendo com que algumas recebam mais água do que outras.

“O conflito tem a ver com a distribuição em si. Quando não há contadores, não há como medir a quantidade de água que chega em todas as parcelas. Automaticamente, umas parcelas tomam mais água, outras recebem menos”, explicou.

Segundo o responsável associativo, quando um agricultor verifica que a parcela de outro está verde, enquanto a sua não recebe a mesma quantidade de água, surgem reclamações que considera legítimas.

Juvenal Gomes apontou igualmente a falta de intervenção regular da Delegação do Ministério da Agricultura em São Vicente no acompanhamento da distribuição da água entre as parcelas, defendendo uma presença mais constante dos técnicos no terreno.

“Exigimos mais apoio da Delegação do Ministério da Agricultura. A Delegação deveria ter técnicos mais constantes no terreno, não só no apoio técnico aos agricultores, como também a ajudar a sanar os conflitos de distribuição de água”, afirmou.

Na sua perspectiva, a instalação de contadores é crucial para resolver o problema, mas revelou que a associação tem solicitado a implementação deste sistema e que a proposta tem sido recusada.

“Temos pedido sempre às instituições, pelo menos, desde que estou aqui como presidente da associação, a instalação de contadores, mas sempre recusaram implementar o sistema de contadores”, vincou.

Conforme a mesma fonte, uma das justificações apresentadas prende-se com a possibilidade de a qualidade da água provocar a deterioração dos equipamentos num período mais curto.

Além do problema da distribuição, Juvenal Gomes chamou a atenção para a qualidade da água utilizada na irrigação, proveniente da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), afirmando que os agricultores sentem os efeitos da elevada salinidade, sobretudo durante o período de Verão.

“Em relação à água que irrigamos, que é da ETAR, não tem qualidade. Nós e os agricultores sentimos isso no terreno”, afirmou.

Segundo o presidente da associação, a salinidade elevada provoca uma redução da produção quando chega o período de Verão, afectando não apenas os agricultores, mas também mais de 100 vendedeiras que dependem da produção local para o sustento das suas famílias.

“Esta é uma questão que as instituições do Estado têm de tentar resolver o mais rápido possível, porque ela está a impactar também grandemente no empoderamento das famílias, no rendimento e para toda a gente”, alertou.

Juvenal Gomes pediu, por isso, uma maior articulação entre a Câmara Municipal de São Vicente, responsável pela gestão da ETAR, e a Delegação do Ministério da Agricultura, de forma a garantir o controlo da qualidade e da quantidade da água disponibilizada aos agricultores.

“Acho que tem havido uma falta de ligação entre a câmara e a Delegação do Ministério da Agricultura para poderem mandar um produto final, uma água com qualidade, para podermos usar”, considerou.

Apesar dos constrangimentos, este responsável associativo entende que São Vicente reúne condições para desenvolver a agricultura, destacando a produção de hortaliças na Ribeira de Vinha e a proximidade entre as zonas produtivas e o mercado consumidor.

“São Vicente não é considerada uma ilha agrícola, mas há uma questão que falta em termos de dados a muitas instituições: a nível de hortaliças, a ilha produz muita quantidade”, afirmou.

Para Juvenal Gomes, a existência de água disponível e de qualidade constitui uma das principais condições para o desenvolvimento do sector agrícola em São Vicente, considerando que a ETAR representa uma fonte de água que não depende directamente das chuvas.

“São Vicente tem condições de avançar na agricultura, e sabemos que um dos requisitos é a questão da água. Segundo informações, a ETAR tem muita água desperdiçada, mas tem uma água mais certa porque não depende das chuvas”, afirmou.

O presidente da associação acrescentou que existem jovens agricultores à espera de uma intervenção do Património do Estado para terem acesso a terrenos e água para cultivar.

Em resposta às preocupações apresentadas, a ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Eveline Ramos, explicou que a instalação de contadores já estava prevista no projecto inicial e que os equipamentos chegaram a existir nas parcelas dos agricultores.

“Primeiramente, para dizer que inicialmente o projecto já previa isso e já existiam contadores nas parcelas dos agricultores. No entanto, os agricultores disseram que, devido a problemas que surgiram na ligação, tiveram que retirar os contadores”, explicou.

A governante garantiu, contudo, que o Ministério da Agricultura pretende retomar a instalação dos contadores, considerando-os necessários para uma melhor gestão da água e para permitir aos agricultores planear as suas actividades e os custos associados à irrigação.

“O ministério vai trabalhar agora na melhoria da rede e depois também na reposição dos contadores que antes, como eu disse, já existiam”, assegurou Eveline Ramos.

CD/AA

Inforpress/Fim 

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