
Ribeira Brava, 15 Out (Inforpress) – A agricultora e empreendedora sanicolauense Maria Andrade apelou hoje aos jovens para acreditarem nas potencialidades da agricultura e investirem no sector como via segura para garantir o sustento familiar e criar oportunidades de negócio nas comunidades rurais.
Em entrevista à Inforpress, a propósito da celebração do Dia Internacional da Mulher Rural, Maria Andrade, que desenvolve a sua actividade produtiva na localidade de Queimadas, no município da Ribeira Brava, considerou que a agricultura constitui uma alternativa económica viável, apesar dos múltiplos desafios enfrentados pelos produtores.
Formada em extensão rural e proveniente de uma família com forte tradição na agricultura e na pecuária, a empreendedora explicou que a aposta na terra surgiu da necessidade de rentabilizar os recursos familiares após não ter conseguido colocação profissional na sua área de formação académica.
Começou por trabalhar por conta própria nas terras da família, conciliando a labuta agrícola com outras responsabilidades profissionais e pessoais. Para Maria Andrade, a actividade representa não só uma fonte de rendimento directo, mas também a garantia de segurança alimentar para o lar e a comercialização dos excedentes excedentários.
“Quando vou trabalhar na horta, vou ter comida na casa, vou ter alimentação e vou vender para comprar outras coisas”, explicou, sublinhando a importância de reconhecer o valor económico e social do trabalho agrícola.
Entre os principais obstáculos à produção, a agricultora apontou a escassez de mão de obra e os prejuízos recorrentes provocados pela invasão de galinhas-do-mato, aves que destroem as culturas e consomem produtos em fase de desenvolvimento, exigindo um esforço acrescido de protecção das plantações.
A comercialização dos produtos constitui outro desafio, sobretudo devido às dificuldades de transporte e à dependência de terceiros para levar a produção aos mercados e aos clientes.
Contudo, com o apoio da mãe e da irmã, Maria Andrade conseguiu adquirir uma viatura própria, o que lhe permitiu ganhar maior autonomia para transportar e vender os produtos em diferentes localidades, bem como adquirir alguns insumos necessários à agricultura.
A empreendedora salientou que essa autonomia contribuiu para melhorar a sua capacidade de comercialização e desenvolver o negócio, embora reconheça que os constrangimentos de transporte continuam a condicionar a actividade dos agricultores em São Nicolau.
Maria Andrade considerou ainda que é necessário valorizar mais o trabalho agrícola, defendendo que a actividade deve ser encarada como uma profissão digna e uma oportunidade real de rendimento, contrariando a ideia de que o sucesso passa necessariamente pela saída do país.
Na sua perspectiva, embora a emigração possa representar uma oportunidade para algumas pessoas, os jovens devem também avaliar as possibilidades locais, sobretudo quando dispõem de terrenos e condições para iniciar uma actividade produtiva.
“Não desanimem”, apelou, reconhecendo que os desafios iniciais podem desmobilizar, mas reiterando que a força de vontade e a coragem são fundamentais para continuar.
O Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado anualmente a 15 de Outubro, constitui uma oportunidade para reconhecer o contributo das mulheres para a agricultura, a segurança alimentar e o desenvolvimento das comunidades rurais.
WM/CP
Inforpress/Fim
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