
Ribeira Grande, 28 Ago (Inforpress) – A ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho afirmou hoje que Santo Antão precisa de reforçar as respostas sociais destinadas aos idosos, pessoas com deficiência, crianças em situação de risco e vítimas de violência baseada no género (VBG).
“O que constatámos é que existe um trabalho que está a ser desenvolvido, mas precisamos melhorar alguns aspectos, nomeadamente as respostas para os grupos mais vulneráveis”, afirmou Adelsia Almeida.
Entre as necessidades identificadas, a ministra referiu-se à falta de respostas adequadas para pessoas com deficiência, e defendeu a criação ou reforço de centros de dia e de acolhimento e melhores condições de mobilidade.
Segundo avançou, o Governo está a trabalhar na mobilização de recursos para disponibilizar às câmaras municipais viaturas adaptadas ao transporte de pessoas com deficiência, idosos e cidadãos com mobilidade reduzida.
Outro dos desafios apontados durante a visita prende-se com o envelhecimento da população e com o número crescente de idosos que vivem sozinhos ou passam grande parte do dia sem acompanhamento.
Adelsia Almeida explicou que esta situação está também relacionada com a saída de jovens da ilha e do país, uma realidade que, segundo disse, exige o reforço dos serviços de atendimento aos idosos, tanto nos centros de dia como ao nível do apoio domiciliário.
A ministra salientou igualmente a necessidade de valorizar e regulamentar o trabalho dos cuidadores informais, desenvolvido sobretudo por mulheres que cuidam diariamente de idosos, crianças e pessoas com deficiência sem remuneração ou enquadramento laboral.
O Governo, acrescentou, está a trabalhar na regulamentação desta actividade, que deverá permitir a definição da carga horária, remuneração e integração dos cuidadores no sistema de segurança social.
Na área da infância, segundo a mesma fonte, a missão constatou também a necessidade de melhorar as respostas de acolhimento e acompanhamento, particularmente através dos centros de dia, com vista a reduzir a exposição das crianças a situações de risco.
A governante apelou ainda ao envolvimento de toda a sociedade na prevenção e denúncia de situações de violência física, psicológica e sexual contra crianças, sublinhando que a protecção da infância “é uma responsabilidade de todos”.
A missão analisou também o funcionamento dos serviços de atendimento às vítimas de VBG, tendo identificado a necessidade de melhorar os espaços de acolhimento, reforçar os recursos humanos e assegurar respostas nas áreas psicológica, jurídica e social.
Adelsia Almeida considerou, no entanto, “muito positivo” o balanço da deslocação, realçando que os contactos permitiram conhecer no terreno as dificuldades existentes e definir áreas prioritárias para futuras intervenções do Governo e das Nações Unidas em Santo Antão.
A ministra esteve acompanhada, nesta missão a Santo Antão, pelo Escritório Conjunto das Nações Unidas, que integra o PNUD, UNICEF e UNFPA, representado pelo coordenador residente David Matern.
A comitiva percorreu os três municípios da ilha, com encontros com autarquias, serviços públicos e organizações da sociedade civil, para avaliar as respostas sociais existentes e identificar os principais desafios.
LFS/ZS
Inforpress/Fim
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