Sandra Custódio despede do jornalismo com coração cheio e consciência tranquila

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Sandra Custódio despede do jornalismo com coração cheio e consciência tranquila
30/09/26 - 03:14 pm

Cidade da Praia, 30 Set (Inforpress) – Após 41 anos dedicados ao jornalismo, a jornalista Sandra Custódio despediu-se hoje da Inforpress com um “nó inevitável na garganta”, mas com a sensação de dever cumprido.

A jornalista disse levar consigo memórias, rostos e histórias de uma vida dedicada a “contar” Cabo Verde.

“Levo o coração cheio e uma profunda sensação de dever cumprido”, declarou, ao recordar uma carreira marcada por dedicação, sacrifícios pessoais, erros, acertos e, sobretudo, paixão pela profissão.

“A Inforpress foi a minha trincheira diária, uma escola de aprendizagem e um espaço onde grande parte da minha trajectória profissional ganhou forma”, afirmou Sandra Custódio, que destacou particularmente os anos de trabalho na ilha do Sal.

Para a jornalista, o jornalismo nunca foi apenas uma profissão, mas uma forma de dar voz a quem nem sempre a tinha e de procurar compreender o país através das suas histórias.

“Enquanto jornalista, nunca soube fazer as coisas pela metade”, afirmou, descrevendo-se como uma profissional exigente na procura dos factos e “teimosa” na defesa da verdade.

Ao longo de quatro décadas, Sandra Custódio acompanhou profundas transformações no jornalismo cabo-verdiano, desde o período anterior à transformação digital até à actualidade, marcada pela rapidez da informação e pela multiplicação das plataformas.

“A tecnologia muda, a velocidade acelera, mas a ânsia pela verdade e o compromisso sagrado com o leitor e com o interesse público têm de permanecer intactos”, defendeu.

Para as novas gerações, deixa um alerta contra a pressa e a facilidade de publicar sem confirmar. Ética, contraditório, rigor e responsabilidade social, considerou, continuam a ser pilares indispensáveis à profissão.

A reforma, contudo, não deverá significar o fim da escrita. Sandra Custódio admite continuar a fazer perfis e a contar histórias de forma pontual.

“A curiosidade não se reforma”, resumiu.

À nova geração de jornalistas deixa a recomendação de manter a capacidade de escutar, questionar e verificar, sem perder de vista o respeito pelas fontes e pelos cidadãos.

Na Inforpress, gostaria de ser lembrada não apenas pelos textos produzidos, mas também pela disponibilidade para ajudar quem estava a começar.

“Gostaria de ser lembrada não apenas como alguém que cumpriu o seu horário ou entregou textos a tempo, mas como uma profissional íntegra, exigente consigo mesma e que esteve sempre disponível para estender a mão a quem estava a chegar”, afirmou.

KA/HF

Inforpress/Fim

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