
Cidade da Praia, 30 Dez (Inforpress) – O ano de 2025, na cultura cabo-verdiana, ficou marcado pela solidariedade após a tempestade Erin, pela estreia no Miss Universo, pelo sucesso de festivais como Atlantic Music Expo (AME), reflectindo dinamismo, reconhecimento internacional e fortalecimento do sector cultural.
Após a tempestade Erin, que atingiu São Vicente a 11 de Agosto, vários municípios cancelaram festivais em sinal de solidariedade: Boa Vista (Festival Praia d’Cruz), Ribeira Grande de Santiago (Festival da Moreia), Mosteiros/Fogo (festas do Dia do Município), Maio (Bixi Rotxa Festival) e São Miguel/Santiago (Festas da Cidade).
Em São Vicente, o Festival Internacional de Música da Baía das Gatas também foi suspenso devido ao estado de calamidade.
Cabo Verde participou, pela primeira vez, no Miss Universo com a candidata Prissy Gomes, que enfrentou críticas nas redes sociais e ciberbullying.
O Atlantic Music Expo (AME), na 11.ª edição, reuniu 23 artistas e foi destacado pelo director-geral Benito Lopes pelo impacto cultural e energia positiva junto da população.
O Kriol Jazz Festival, em Abril, realizou a 14.ª edição com um cartaz de elevado nível musical, apesar de desafios financeiros.
No sector literário, o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva lançou o livro “Crise e Resiliência”, apresentado por José Manuel Durão Barroso, e a Biblioteca do Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV) foi inaugurada em Lisboa.
O escritor José Luiz Tavares obteve, judicialmente, a suspensão do Manual de Língua Cabo-verdiana do 10.º ano, alegando atentado à língua e cultura.
Novas edições da Grande Feira do Livro de Cabo Verde 2025 em várias ilhas, como Boa Vista, Porto Novo e São Vicente, sublinhando a aposta na descentralização da cultura e no incentivo à literacia em todo o arquipélago.
Nos prémios e música, os CVMA 2025 introduziram duas categorias novas, com destaque para Hélio Batalha, vencedor em três categorias. O rei do funaná, Zeca Nha Reinalda, lançou álbum comemorativo dos 50 anos de carreira.
O Dia Nacional da Cultura e das Comunidades celebrou 20 anos, com ênfase no legado cultural do país no ano do cinquentenário da independência.
No cinema, a ACACV denunciou incumprimentos financeiros do Ministério da Cultura, mas promoveu a segunda edição do concurso nacional “Nha Cidadi Nha Filme”.
O Governo reforçou o apoio financeiro e institucional à cultura via programa BA-Cultura, beneficiando 124 escolas, associações e ONG, além de antecipar e aumentar a verba aos grupos oficiais do Carnaval da Praia para 2026. As verbas aos grupos carnavalescos foram aumentadas também.
No património, o IPC avançou com intervenções arqueológicas na Cidade Velha, valorização de faróis e requalificação urbana, incluindo o Farol Dona Maria Pia elevado a Património Cultural Nacional.
O Campo de Concentração do Tarrafal prepara candidatura à Lista do Património Mundial da UNESCO, com avaliação preliminar positiva.
Em 2024, os museus de Cabo Verde registaram um total de aproximadamente 40.000 visitantes, um crescimento de cerca de 20% em relação a 2023.
Internacionalmente, Cabo Verde esteve presente na 38.ª Feira Internacional de Artesanato, na Índia, e Tutu Sousa marcou presença na View Fashion Week, em Dubai.
A Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) distribuiu historicamente fundos arrecadados nas eleições autárquicas de 2024.
O país participou da conferência MONDIACULT 2025, defendendo que cultura e indústrias criativas são centrais à identidade, economia e diálogo global.
Foram aprovados o Estatuto dos Artistas e a Lei do Profissional Criador e Produtor de Arte e Cultura, garantindo reconhecimento, protecção social e profissional aos agentes culturais.
O ano de 2025 também foi marcado por perdas, com o falecimento do músico Romeu di Lurdis, lamentado pela comunidade artística.
TC/HF
Inforpress/Fim
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