
Assomada, 07 Set (Inforpress) – A psicóloga Maria Nascimento Semedo alertou hoje para os riscos que álcool, drogas, isolamento e uso inadequado das redes sociais representam para adolescentes e jovens, daí solicitar “maior acompanhamento familiar e diálogo aberto”.
Em declarações à Inforpress, a psicóloga clínica alertou para a “crescente exposição de adolescentes e jovens” a factores que podem afectar a saúde mental e defendeu “maior acompanhamento familiar” perante o consumo do álcool e drogas, o isolamento e o uso inadequado das novas tecnologias.
A coordenadora do programa de Saúde Mental da Delegacia de Saúde de Santa Catarina considera os adolescentes e jovens um grupo que “merece atenção particular”, tanto pelas transformações próprias desta fase da vida como pelo contexto social em que estão inseridos.
Segundo a psicóloga, o período da adolescência envolve mudanças que podem ser difíceis de gerir, sobretudo quando o jovem não encontra em casa espaço para falar sobre aquilo que está a viver.
Por isso, considerou que os pais devem manter um diálogo aberto com os filhos e acompanhar mais de perto as suas rotinas, amizades e mudanças de comportamento, sem transformar esse acompanhamento numa relação de vigilância permanente.
A entrada no consumo de álcool e outras drogas é apontada como uma das principais preocupações neste grupo etário.
Maria Nascimento Semedo chama ainda a atenção para situações de policonsumo, que, segundo a sua observação profissional, têm surgido entre jovens de idades cada vez mais baixas.
A psicóloga relaciona o consumo de substâncias com o agravamento dos riscos associados à saúde mental e considera necessário actuar antes que os problemas se aprofundem.
Outro motivo de preocupação é a relação dos jovens com as redes sociais e as novas tecnologias.
Para a especialista, essas ferramentas podem trazer benefícios, mas a utilização inadequada e a exposição permanente a determinados conteúdos podem produzir consequências negativas.
“Não se encontra apenas coisa boa” nas redes sociais, observou a psicóloga, alertando que os jovens podem ser influenciados por conteúdos ou situações que afectam o seu equilíbrio emocional.
Neste contexto, considerou fundamental que os pais saibam o que os filhos estão a consumir nas plataformas digitais e mantenham disponibilidade para conversar sobre aquilo que vêem e sentem.
A atenção deve ser redobrada perante mudanças repentinas de comportamento.
A psicóloga cita, entre os sinais que podem merecer acompanhamento, o isolamento, a perda de interesse pelas actividades habituais e comportamentos de auto-agressão.
Maria Nascimento Semedo chama a atenção, particularmente, para situações em que adolescentes escondem ferimentos através da roupa, defendendo que os adultos devem observar mudanças sem assumir automaticamente que se trata de uma questão passageira.
Para a especialista, um comportamento que começa por parecer pouco preocupante pode evoluir para situações de maior gravidade, pelo que a identificação precoce e a procura de ajuda são essenciais.
A responsável defendeu, por isso, uma maior aproximação entre família, escola, amigos, comunidade e serviços de saúde, de forma a criar uma rede capaz de identificar precocemente situações de sofrimento psicológico.
A mensagem enquadra-se no lema do Setembro Amarelo para 2024-2026, “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, acompanhado do apelo “Comece a conversa”, que procura incentivar diálogos abertos e reduzir o estigma associado ao suicídio e à saúde mental.
Maria Nascimento Semedo considerou que falar sobre saúde mental deve deixar de ser visto como sinal de fraqueza e passar a ser encarado como parte dos cuidados de saúde.
“Procurar ajuda atempadamente pode impedir que situações de sofrimento evoluam para quadros mais graves”, finalizou.
MC/AA
Inforpress/Fim
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