
Ribeira Grande, 31 Ago (Inforpress) – A presidente da Associação Comunitária Ponta de Cinta, Maria do Rosário, considerou hoje que a localidade de Corda está a perder população, devido à falta de emprego e oportunidades, cenário agravado pela redução da dinâmica económica.
Em declarações à Inforpress, Maria do Rosário considerou que a mudança do fluxo rodoviário para a via litoral retirou Corda “uma importante oportunidade” de comercialização dos produtos locais, agravando as dificuldades económicas que a comunidade enfrenta com a saída contínua dos jovens.
“Antes comercializávamos tudo na estrada. Depois que a estrada passou para a via litoral, ficámos com um bloqueio e diminuíram consideravelmente as oportunidades de vender os nossos produtos”, afirmou.
Para a responsável, esta perda de dinâmica económica soma-se a outros problemas que têm condicionado o desenvolvimento da localidade, entre os quais a falta de água, mão-de-obra e postos de trabalho.
É neste cenário que Corda continua a perder sobretudo a sua população mais jovem, que sai depois de concluir o ensino secundário para procurar formação e emprego noutros pontos do país.
Maria do Rosário reconheceu que têm sido desenvolvidos esforços para criar oportunidades económicas na própria comunidade, mas admitiu que os poucos postos de trabalho que surgem não são suficientes para fixar os jovens.
“Podemos criar um ou outro posto de trabalho, mas não conseguimos dar resposta”, observou.
Segundo a mesma fonte muitos dos que deixam a localidade não regressam.
A consequência, segundo a dirigente associativa, já é visível na própria composição da população, cada vez mais envelhecida, assim como na redução do número de crianças no jardim infantil e de alunos na escola.
“Praticamente já não temos jovens. Podemos dizer que estamos perante uma localidade de pessoas a partir dos 50 anos”, afirmou.
Apesar dos constrangimentos, Maria do Rosário considerou que Corda dispõe de potencial, sobretudo agrícola, e defendeu a necessidade de criar condições que permitam transformar os recursos locais em rendimento e oportunidades.
“Qualquer actividade que fazemos é uma tentativa de dinamizar esta zona para que não caia no esquecimento”, sustentou.
Maria do Rosário considerou que criar condições para fixar os jovens e incentivar o regresso dos que deixaram a comunidade continua a ser um dos maiores desafios da localidade.
LFS/AA
Inforpress/Fim
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