Santo Antão: Agricultores e proprietários do Paul pedem prolongamento do prazo de produção de grogue

Inicio | Economia
Santo Antão: Agricultores e proprietários do Paul pedem prolongamento do prazo de produção de grogue
28/05/26 - 04:19 pm

Cidade das Pombas, Paul, 28 Mai (Inforpress) - Um grupo de agricultores e proprietários do concelho do Paul apelou hoje ao Governo para prolongar até final de Junho o prazo de produção de grogue, alegando escassez de mão-de-obra e atrasos causados pelas condições climaticas registadas este ano.

Em declarações à imprensa, o agricultor e proprietário Armindo Pires afirmou que os produtores enfrentam dificuldades “sem precedentes” devido à escassez de trabalhadores, situação que, segundo disse, está a comprometer a produção e a sustentabilidade das propriedades agrícolas.

“Nós sobrevivemos apenas da agricultura. Todos os dias perdemos mão-de-obra e já não temos trabalhadores suficientes para o trapiche, o alambique, regar e garantir o nosso sustento diário”, afirmou.

Segundo a mesma fonte, muitos agricultores possuem terrenos arrendados e receiam perder parte da colheita por não conseguirem concluir a faina dentro do prazo estabelecido.

Armindo Pires explicou que, tradicionalmente, a licença para produção decorre entre 01 de Janeiro e 31 de Maio, mas este ano as chuvas prolongadas e o frio registado até depois de 15 de Março atrasaram significativamente o arranque dos trabalhos.

“A prova disso é que o inspector da IGAE que esteve no meu curral, no dia 18 de Março, encontrou-nos ainda sem iniciar a produção. Só começámos em Abril e agora não conseguimos terminar até 31 de Maio”, relatou.

Apesar da possibilidade de uma prorrogação de 15 dias durante o mês de Junho, o agricultor considerou o período insuficiente, sobretudo devido às festividades juninas e à contínua falta de trabalhadores no concelho.

“Queremos que o Governo olhe para a nossa situação e envie técnicos ao terreno para verificarem que não existem condições para cumprir o prazo”, apelou.

Também o proprietário Miguel Aleixo defendeu o prolongamento do prazo até final de Junho, sublinhando que os produtores não estão na actual situação “por vontade própria”, mas sim devido à escassez de mão-de-obra e aos atrasos causados pela pluviosidade registada este ano.

“Temos trabalhado todos os dias, mas, às vezes, contamos apenas com um ou dois trabalhadores, o que impossibilita cumprir os prazos”, afirmou.

Segundo o agricultor, os produtores gostariam de concluir rapidamente a campanha de grogue para regressarem aos trabalhos agrícolas, mas a realidade actual não o permite.

“Este ano está muito mais complicado do que os anteriores, devido à saída de trabalhadores do Paul e de Santo Antão em geral”, afirmou, considerando que mesmo os 15 dias de prorrogação previstos “não serão suficientes” para salvar a colheita deste ano.

A actividade de produção de grogue é regulamentada pelo Decreto-Lei n.º 11/2015, que estabelece padrões de higiene, saúde pública e protege a autenticidade do produto. A época legal de produção (safra) ocorre anualmente de 1 de Janeiro a 31 de Maio, sendo proibido o fabrico fora deste período.

LFS/ZS

Inforpress/Fim

Partilhar