
Assomada, 19 Out (Inforpress) - A assistente social Nadine Monteiro, fundadora da Fundação Boa Esperança, sediada nos Países Baixos, alertou hoje que as dificuldades alfandegárias em Cabo Verde estão a desmotivar a solidariedade da diáspora e a limitar o apoio às famílias vulneráveis.
Em entrevista à Inforpress, Nadine Monteiro contou que a ideia de criar a fundação surgiu após regressar a Cabo Verde, 17 anos depois de emigrar, quando tomou conhecimento das dificuldades enfrentadas pelas pessoas mais vulneráveis.
A organização começou por mobilizar amigos para recolher produtos novos e artigos usados em bom estado, destinados a famílias e instituições com poucos recursos. Com o aumento das doações, passou a enviar contentores com roupas, materiais escolares e outros bens para apoiar comunidades cabo-verdianas.
Entretanto, os entraves alfandegários têm dificultado a chegada dos donativos. Como exemplo, a responsável apontou mil kits escolares destinados a crianças carenciadas, retidos desde Julho, situação que a obrigou a deslocar-se dos Países Baixos a Cabo Verde, em Outubro, para tratar pessoalmente do desalfandegamento.
“Há pessoas que querem ajudar, mas as dificuldades que encontramos na Alfândega acabam por fechar portas a essa boa vontade”, lamentou, considerando que os constrangimentos podem afastar emigrantes e instituições estrangeiras interessadas em apoiar o país.
A fundação já desenvolveu acções em várias ilhas, incluindo São Vicente, mas pretende alargar a sua intervenção a outras comunidades, embora, segundo a responsável parte do tempo que poderia ser dedicado à identificação de necessidades e ao contacto com instituições acaba consumida na resolução de processos alfandegários.
Além da distribuição de bens, a Boa Esperança pretende reforçar o apoio psicológico, a formação e a promoção da saúde mental, com particular atenção às mães solteiras e às mulheres vítimas de violência.
Neste âmbito, através de iniciativas ligadas à Casa das Vítimas, a organização promove sessões de grupo, acompanhamento psicológico e actividades práticas destinadas a fortalecer a auto-estima e a autonomia das beneficiárias.
A fundação pretende igualmente estabelecer parcerias com especialistas e instituições cabo-verdianas para prevenir a violência e combater a transmissão da pobreza entre gerações, reduzindo os custos associados à contratação de técnicos estrangeiros.
Com cinco colaboradores nos Países Baixos e três em Cabo Verde, a organização mantém o projecto de construir um espaço físico no país, para ampliar o acompanhamento das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Para Nadine Monteiro, a intervenção social deve ir além da entrega de donativos, criando condições para que as pessoas recuperem a esperança, conquistem autonomia e transformem as suas vidas.
MC/CP
Inforpress/Fim
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