
Assomada, 22 Abr (Inforpress) – Jovens e líderes comunitários de várias localidades do município, iniciaram hoje, em Assomada, uma formação em liderança e desenvolvimento comunitário, com foco na prevenção do abuso sexual, visando reforçar capacidades e mobilização social local.
Promovida pela Aldeias Infantis SOS Cabo Verde, no âmbito do projecto “Djunta Mon”, financiado pela União Europeia, a iniciativa decorre durante três dias e reúne membros de associações e representantes comunitários de zonas como Achada Lém, Ribeira da Barca e Rincão.
Em declarações à imprensa, o coordenador do projecto, Adalberto Varela, explicou que a acção faz parte de uma estratégia mais ampla de empoderamento comunitário, defendendo que trabalhar apenas com crianças e famílias não é suficiente para provocar mudanças duradouras.
“É preciso envolver toda a comunidade, para estar alerta e preparada para agir”, sublinhou.
Segundo o responsável, a formação pretende dotar os participantes de ferramentas práticas para uma intervenção mais organizada e eficaz, sobretudo num contexto em que o abuso sexual continua a ser um fenómeno presente, mas ainda pouco enfrentado. “Muitas pessoas já ouviram falar, mas poucas agem”, alertou, destacando a importância de quebrar o silêncio e promover a prevenção.
Adalberto Varela destacou ainda que o projecto aposta numa intervenção integrada, envolvendo famílias, indivíduos e organizações locais, e incentivando as comunidades a desenvolverem as suas próprias iniciativas, inclusive através de financiamento disponibilizado. “Não queremos impor soluções, mas valorizar as ideias e capacidades locais”, afirmou.
Entre os desafios, apontou o tabu em torno do abuso sexual, que muitas vezes impede o debate aberto e a busca de soluções.
Ainda assim, garantiu que o projecto combina acções de prevenção com mecanismos de resposta, incluindo acolhimento de emergência para as vítimas e apoio jurídico, em parceria com instituições como o Ministério da Justiça, Acrides e ICCA, entre outras.
Ao longo da formação, ressaltou que, serão abordados temas como liderança participativa, comunicação eficaz, mobilização social, desenvolvimento comunitário sustentável e trabalho em rede, numa abordagem participativa que incentiva o envolvimento activo dos formandos.
Para as participantes, a formação representa uma oportunidade de reforçar o trabalho já desenvolvido nas comunidades. Analina Fortes, da localidade de Pingo Chuva, afirmou que pretende aplicar os conhecimentos adquiridos no apoio às famílias, defendendo maior união entre instituições, igrejas e sociedade civil.
Já Isaurinda Garcia, da Fundura, destacou a necessidade de sensibilizar pais e encarregados de educação para prevenir situações de abuso, sublinhando que “proteger as crianças é responsabilidade de todos”.
Com duração de três anos, o projecto “Djunta Mon” visa fortalecer a rede de protecção da criança em Cabo Verde, promovendo uma resposta coordenada e centrada nas comunidades.
MC/CP
Inforpress/Fim
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