Santa Catarina: Lantuna aposta na criação de carneiros para tirar mulheres da apanha de areia

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Santa Catarina: Lantuna aposta na criação de carneiros para tirar mulheres da apanha de areia
04/09/26 - 02:02 pm

Assomada, 04 Set (Inforpress) – Onze mulheres de Porto Rincão receberam casais de carneiros para substituir a apanha de inertes por uma alternativa económica mais segura e sustentável de rendimento às famílias.

A entrega de 22 animais foi promovida pela ONG para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Lantuna), no âmbito de um projecto dirigido a mulheres, muitas delas chefes de família, que há anos encontram na extracção de inertes uma das poucas formas de garantir o sustento.

A actividade, embora ilegal, tornou-se para estas mulheres uma questão de sobrevivência. Mas o preço é alto, esforço físico, problemas de saúde e degradação da orla costeira, particularmente nesta comunidade vizinha do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra.

“É um trabalho muito duro. Carregar areia é pesado, acaba com a coluna e afecta a saúde”, declarou a porta-voz da Lantuna, Samir Martins, sublinhando que o projecto pretende atacar simultaneamente o problema social e ambiental.

Cada beneficiária recebeu um casal de ovinos e sacos de milho ou ração, que será acompanhado durante alguns meses, com assistência veterinária e formação sobre criação, higiene, saúde animal e pequenos negócios.

A expectativa é que os animais reproduzam e possam transformar-se numa fonte de rendimento capaz de substituir progressivamente a apanha de areia.

Para a beneficiária Angela Semedo, a mudança representa mais do que uma oportunidade económica, é também a possibilidade de deixar para trás uma actividade que já cobra o seu preço ao corpo.

“Dediquei a minha vida à apanha de areia e inertes e já tenho problemas de saúde. Agora, com estes carneiros, quero ter outra fonte de rendimento e, quando tiverem crias, sair dessa vida”, contou.

Luísa da Veiga conhece igualmente o peso dessa rotina pois, já com uma certa idade, continua a procurar no mar, na venda de peixe e na areia formas de sustentar a família.

“Esta vida de apanha de areia está cada dia mais complicada. É uma vida sacrificada”, afirmou, considerando que os animais podem representar uma oportunidade para se dedicar a uma actividade menos pesada.

Igualmente, Nilvandra Monteiro, uma das beneficiárias mais jovens, reforçou que a apanha de inertes é uma das maiores preocupações para a saúde das mulheres da comunidade, que continuam a recorrer à actividade por falta de alternativas.

A iniciativa da Lantuna, que já tinha feito uma primeira entrega a um grupo de 18 mulheres no passado mês de Fevereiro, pretende, assim, que a mudança aconteça aos poucos, que os carneiros cresçam, reproduzam e gerem rendimento, enquanto diminui a necessidade de recorrer à areia.

Para Samir Martins, esta ligação entre rendimento e ambiente é essencial. 

“Uma forma de melhorar a questão ambiental é também melhorar as condições de vida das pessoas”, considerou.

MC/AA

Inforpress/Fim

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