
Assomada, 22 Mai (Inforpress) – As consultas de grávidas na Delegacia de Saúde de Santa Catarina deixaram de ser, há alguns anos, apenas momentos clínicos, para se transformarem em espaços de partilha, acolhimento emocional, exercícios físicos e preparação humanizada para a maternidade.
No corredor do espaço do Programa Materno Infantil (PMI), os tradicionais bancos deram lugar, esta manhã, a tapetes coloridos espalhados pelo chão, bolas de pilates e rodas de conversa entre profissionais de saúde e mulheres grávidas.
O ambiente, decorado com diferentes tonalidades, integrou mais uma actividade da campanha “Maio Furta-Cor”, e mais uma acção que já tem sido prática há algum tempo, uma iniciativa dedicada à saúde mental materna, que procura alertar para os desafios emocionais enfrentados pelas mulheres durante a gravidez e o pós-parto.
Entre exercícios de respiração, alongamentos e conversas descontraídas, o corredor do centro de saúde transformou-se num espaço de tranquilidade e escuta activa, onde as futuras mães puderam partilhar medos, dúvidas e expectativas.
A psicóloga da Delegacia de Saúde de Santa Catarina, Nascimento Fortes, explicou à Inforpress que a campanha já acontece há cerca de cinco anos em Cabo Verde e que, no município, esta é a terceira edição.
Segundo aquela responsável, o “Maio Furta-Cor” é celebrado em vários países e pretende chamar atenção para a importância da saúde mental materna, sobretudo num contexto em que muitas mulheres enfrentam ansiedade, tristeza, isolamento ou depressão sem o devido acompanhamento.
“A saúde mental materna é o bem-estar emocional da mãe, do bebé e da família. Durante a gravidez podem surgir vários transtornos mentais e é importante reconhecer os sinais para evitar complicações durante a gestação e no pós-parto”, explicou.
A enfermeira obstetra Josiane Carvalho afirmou que as actividades realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras incluem exercícios físicos com bolas de pilates e técnicas de relaxamento, com o objectivo de preparar as mulheres para um parto mais humanizado, e não somente no mês de Maio, mas todos os meses e todas as semanas.
“Não é apenas preparação física. É também uma preparação mental. A maternidade é muitas vezes romantizada e nem sempre corresponde à realidade vivida pelas mães”, salientou.
A profissional defendeu ainda uma sociedade mais empática e disponível para ouvir as mulheres durante este período delicado.
“Depois do nascimento, toda a atenção vai para o bebé e muitas vezes ninguém pergunta como está a mãe. É preciso cuidar também da saúde mental dela”, reforçou.
Entre as participantes estava Solângela Batpista, grávida de dois meses e mãe pela segunda vez, dez anos depois da primeira gestação.
À Inforpress, contou que sente diferenças no acompanhamento actualmente prestado às grávidas no centro de saúde.
“Hoje as consultas são mais humanas. Sentimos mais apoio e mais preparação. Mesmo sendo a primeira vez que participo numa actividade destas, pois é a primeira consulta, senti-me mais relaxada e tranquila”, afirmou.
Também Sandra Monteiro, grávida pela terceira vez, considerou a iniciativa “louvável” e pediu continuidade das actividades.
“Os exercícios ajudam muito, principalmente na saúde mental. Às vezes as mães tentam ser fortes o tempo todo e acabam por guardar tudo para si”, disse.
Ao longo da manhã, entre risos tímidos, movimentos orientados e partilhas emocionadas, ficou evidente que, naquele corredor improvisado em sala de acolhimento, a maternidade deixou de ser tratada apenas do ponto de vista físico.
Ali, a escuta, o apoio emocional e o cuidado com a mente ganharam espaço ao lado do acompanhamento clínico, numa tentativa de tornar a gravidez um processo mais leve, humano e consciente.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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