
Cidade da Praia, 09 Abr (Inforpress) – A organização do projecto “Amar no Espectro” desafiou hoje as autoridades cabo-verdianas a criarem uma estrutura nacional de capacitação no autismo, visando garantir respostas efectivas na saúde e educação para crianças e famílias.
Zuleika Rodrigues, uma das mentoras da iniciativa e mãe de uma criança com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), falava durante a apresentação do projecto, que reuniu pais, profissionais de saúde e de educação da capital para debater a condição no arquipélago.
“Devido à falta de estrutura em Cabo Verde, os pais vivem esta luta sozinhos. Sentimos a necessidade urgente de criar uma rede de apoio inclusivo no país”, afirmou, sublinhando que a ausência de suporte institucional torna o percurso das famílias "cada vez mais pesado".
Para a mentora, as intervenções actuais têm sido insuficientes devido à carência de profissionais especializados. Zuleika Rodrigues apontou o sector da saúde como um dos principais obstáculos, lamentando que as terapias existentes não sejam acessíveis a todos.
“Infelizmente, as terapias não têm comparticipação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Com isso, muitos pais estão excluídos de procurar tratamento para os seus filhos”, lamentou.
Segundo Zuleika Rodrigues o objectivo do projecto é contribuir para a redução do estigma, fortalecer as redes de apoio e promover uma sociedade mais informada e sensível às necessidades das pessoas com TEA.
A mentora do “Amar no Espectro” concluiu apelando às famílias para que estejam atentas aos sinais precoces e defendeu que o Estado deve assumir um papel facilitador na criação de caminhos para uma inclusão real, garantindo que as crianças autistas tenham "oportunidade de um futuro".
OS/CP
Inforpress/Fim
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