
Cidade da Praia, 10 Set (Inforpress) – O recurso a plantas medicinais continua a fazer parte do quotidiano de muitos cabo-verdianos, e para as vendedoras e praticantes Sara Correia e Janira Barros devem ser melhor preservada.
No Mercado do Platô, na cidade da Praia, Janira Barros, que há cinco anos vende plantas e produtos naturais no espaço que herdou do avô, relatou que aprendeu os seus conhecimentos com a avó, quando ainda vivia no interior de Santiago, e que hoje mantém a actividade por paixão.
Entre as plantas procuradas pelos clientes estão arruda, erva-doce, cháli e hortelã, muito conhecidas, e ainda folhas de goiabeira, alecrim e babosa.
Segundo a vendedora, as pessoas procuram muito por arruda para fazer defumador, para dor na barriga, mal-olhados, alecrim também para defumador.
Chalí regula o sono e pressão arterial, a folha de abacate é boa para triturar com alecrim e lavar o cabelo, bom para alergia.
“Precisam dar mais importância a estas folhas”, defendeu Janira Barros, explicando que muitos dos seus clientes preferem recorrer às plantas e preparar os seus próprios remédios em casa.
A mesma relação com os saberes tradicionais é partilhada por Vera Correia, colaboradora da loja Brasileira no Platô, onde são comercializados produtos como camomila, espinheira-santa e valeriana, além de suplementos e outros produtos naturais.
Para Vera Correia, procurar plantas medicinais é uma tradição, sobretudo entre famílias do interior, onde os conhecimentos foram preservados e transmitidos ao longo de gerações.
“É uma tradição que não quero que acabe”, citou, contando que o interesse pelos chás começou ainda na infância e que actualmente também procura transmitir esses conhecimentos à filha.
A mesma fonte indicou que, com problemas que teve no estômago, optou por recorrer a preparações à base de plantas, como espinheira-santa e marcela, em vez da endoscopia como receitado pelo médico.
Segundo Vera Correia, apesar da variedade de plantas e das diferentes formas tradicionais de utilização, muitas pessoas conhecem apenas algumas das mais populares, como cháli, erva-doce e chá verde.
“Eu e a minha mãe aprendemos com os meus avós e a minha filha está a aprender comigo”, reforçou.
O Dia da Medicina Tradicional Africana é celebrado a 31 de agosto, e foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2000, em reconhecimento da relevância desta Medicina Tradicional para os Sistemas de Saúde em África e para as diversas comunidades de origem africana ao redor do Mundo.
A Associação Cabo-verdiana de Medicina Tradicional Africana e Práticas Complementares (MeTrA-PraC), em parceria com a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), assinala este dia hoje, com várias actividades, na universidade pública.
As actividades incluem a exposição educativa e informativa de plantas medicinais em aquarela, intitulada “Naturoteca”, patente ao público até sexta-feira, 11.
LT/AA
Inforpress/Fim
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