Portugal: Dirigente associativo espera “outro dinamismo” do Governo na relação com a diáspora

Inicio | Cooperação
Portugal: Dirigente associativo espera “outro dinamismo” do Governo na relação com a diáspora
30/08/26 - 11:57 am

Lisboa, 30 Ago (Inforpress) – O presidente da Associação Maense em Portugal (AMP), Carlos Frederico, defendeu maior atenção do Governo de Cabo Verde às comunidades na diáspora, esperando que o novo executivo imprima “outro dinamismo” na relação com as associações cabo-verdianas no estrangeiro.

O dirigente associativo falava à Inforpress e à RTC à margem das actividades comemorativas dos 23 anos da AMP, promovidas no sábado, 29, por ocasião do aniversário da organização, fundada a 29 de Agosto de 2003, com o propósito de unir os maienses residentes em Portugal, manter viva a ligação à ilha do Maio e criar mecanismos de solidariedade entre os membros da comunidade.

Carlos Frederico criticou a actuação nos últimos anos das estruturas governamentais responsáveis pela diáspora, considerando que estas não têm respondido de forma adequada às necessidades das comunidades cabo-verdianas no estrangeiro.

“A diáspora não quer ser vista apenas como uma fonte para enviar remessas para Cabo Verde. Foi criado um Ministério das Comunidades e não fez nada para a diáspora, pelo menos até agora. Pode ser que este novo Governo tenha outro dinamismo com a diáspora”, afirmou.

Segundo aquele responsável, o Ministério das Comunidades e a Secretaria das Comunidades “não passaram de nomes e não fizeram nada para a comunidade imigrada”.

“Não queremos nomes. Se damos para Cabo Verde, Cabo Verde tem de ter o mínimo de consideração para fazer alguma coisa, principalmente para criar condições para que os dirigentes associativos não sejam apenas escravos à procura de algo para enviar para Cabo Verde”, criticou.

A título de exemplo, apontou as dificuldades enfrentadas pela AMP no envio de donativos para Cabo Verde, nomeadamente materiais escolares e outros bens destinados a instituições e comunidades no país.

Segundo explicou, actualmente a associação, que lidera desde 2013, é obrigada a suportar os custos de transportes ou transferir essa responsabilidade para entidades beneficiárias, situação que considera penalizadora para aquela organização sem fins lucrativos.

O activista social criticou ainda as dificuldades no acesso à documentação para beneficiar de isenção no transporte de donativos, alegando que os processos junto da Embaixada de Cabo Verde em Portugal nem sempre são céleres.

“Parece que querem que imploremos para nos dar um documento de isenção para transitário”, lamentou.

Carlos Frederico relatou ainda que, devido à ausência da Encarregada de Negócios da Embaixada de Cabo Verde em Lisboa, a AMP enfrenta dificuldades para concretizar, neste momento, o envio de donativos constituídos por materiais escolares, por faltar a assinatura necessária para a documentação.

Apesar das críticas, esclareceu que o objectivo é contribuir para a melhoria dos procedimentos e evitar que as mesmas dificuldades se repitam.

Neste sentido, defendeu a criação de mecanismos que permitam às organizações não-governamentais (ONG) cabo-verdianas activas na diáspora beneficiar de isenção ou facilitação nos processos de envio de donativos para Cabo Verde.

FM/ZS

Inforpress/Fim

Partilhar