
Luanda, 30 Ago (Inforpress) – O presidente da União Africana, Évariste Ndayishimiye, alertou hoje a cimeira de Luanda para a pobreza que também gera conflitos em África e para a necessidade de evitar que o desespero leve os povos a pegar em armas.
O também Presidente do Burundi falava na abertura da Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo, que decorre hoje na capital angolana, exclusivamente dedicada à prevenção de conflitos no continente africano.
O presidente da organização reconheceu que a União Africana (UA) tem de ter “maior capacidade de alerta, prevenção e articulação”, mas expressou a convicção de que o problema não é a falta de mecanismos.
Como enumerou, a União Africana tem o Conselho de Paz e Segurança, o Sistema Continental de Alerta Precoce, o Comité de Inteligência e Segurança, a Força Africana em Estado de Alerta e a Força de Paz da União Africana, assim como a diplomacia preventiva.
Évariste Ndayishimiye admitiu que “acontece frequentemente” a organização identificar os primeiros sinais de uma crise, mas só intervir quando está fora do controlo e deu como exemplo o conflito do Sudão, “com perdas importantes tanto humanas como materiais”.
O presidente em exercício da UA defendeu uma maior capacidade de alerta e prevenção e de articulação das estruturas, mas alertou que “os conflitos não resultam apenas da violência armada”.
Eles são também resultado, prosseguiu, do “défice da governação, exclusão política, desigualdades e injustiças sociais”, que levam a pegar em armas.
“A pobreza é um factor favorável aos conflitos. A inadequada repartição dos recursos produz precariedade e desespero”, enfatizou, defendendo um programa alargado de combate à pobreza no continente.
Para o Presidente de Angola e anfitrião da cimeira, João Lourenço, é responsabilidade dos líderes africanos “criar as condições para que as futuras gerações de africanos possam viver num continente livre de guerras e conflitos armados violentos, mais integrado, mais prospero e mais seguro”.
O chefe de Estado foi o impulsionador do encontro e lembrou, na cerimónia de abertura, o compromisso de Angola a favor da paz, assumido durante o exercício da presidência angolana da UA, em 2025.
João Lourenço destacou a necessidade de tornar “mais eficazes os instrumentos de que África dispõe para prevenir conflitos, mediar crises e assegurar a implementação das decisões colectivamente adoptadas”.
O Presidente angolano espera que a Cimeira de Luanda “seja um ponto de viragem” para colocar em prática os mecanismos para a prevenção e resolução dos conflitos no continente.
“Devemos mobilizar os instrumentos políticos, diplomáticos, financeiros e institucionais de que dispomos para prevenir os conflitos antes que estes se transformem em guerras, e para pôr fim no mais curto espaço de tempo possível aos conflitos que já existem”, declarou.
O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, referiu-se, no discurso na sessão de abertura da cimeira, às crises permanentes do continente africano, do Sudão à República Democrática do Congo, à Somália ou ao norte de Moçambique.
Desafios como o terrorismo, o extremismo violento e a criminalidade transnacional são a realidade do continente, como disse, defendendo que “chegou o tempo das reformas” e que estas têm de ter “um mecanismo de alerta rápido”.
Mahmoud Ali Youssouf destacou a urgência de reforço do financiamento do Fundo para a Paz, que “está quase inoperacional”, e para a necessidade de acelerar o ritmo das reformas e pôr a funcionar mecanismos funcionais na União Africana.
O número de chefes de Estado e de Governo presentes na cimeira ainda não foi revelado, sendo que da África lusófona se encontra apenas em Luanda o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves.
Inforpress/Lusa
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