Pescadores de Porto Mosquito denunciam falta de gelo, combustível caro e ausência de estruturas de apoio

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Pescadores de Porto Mosquito denunciam falta de gelo, combustível caro e ausência de estruturas de apoio
12/09/26 - 03:01 pm

*** Por Luís Carvalho, da Agência Inforpress ***

Cidade da Praia, 12 Set (Inforpress) – O presidente da Associação Comunitária de Pescadores e Peixeiras do Porto Mosquito, denunciou hoje dificuldades no sector, agravadas pela falta de gelo, combustível caro, transporte deficiente e ausência de estruturas de apoio adequadas.

Em entrevista à Inforpress, Manuel de Jesus dos Santos Lucas apontou a falta de gelo como uma das principais preocupações dos pescadores e peixeiras de Porto Mosquito, considerando que a situação condiciona directamente a conservação e comercialização do pescado.

Segundo explicou, existe na localidade uma estrutura destinada à produção de gelo e conservação do pescado, mas encontra-se inactiva há mais de duas décadas, deixando os profissionais do sector dependentes de outras alternativas para garantir a conservação da captura.

“Há mais de 20 anos que aquele espaço de gelo e conservação está desactivado”, lamentou o dirigente associativo, defendendo a necessidade de reabilitação da infra-estrutura para responder às necessidades da comunidade piscatória.

Para o líder comunitário, a recuperação daquele espaço representaria mais do que uma simples melhoria das condições de trabalho, constituindo uma estrutura essencial para a actividade pesqueira e para a economia das famílias que dependem do mar.

Outra dificuldade apontada prende-se com o acesso ao combustível para as embarcações. 

O responsável explicou que os pescadores de Porto Mosquito são obrigados a abastecer-se nas bombas de combustível, situação que, segundo afirmou, torna o produto mais caro para quem exerce a actividade.

Na sua perspectiva, a criação de um ponto de abastecimento de combustível marítimo na própria localidade permitiria reduzir os custos e facilitar a actividade dos pescadores.

“Em Porto Mosquito, a gasolina é uma das mais caras”, afirmou, lembrando que na cidade da Praia existe um local destinado ao abastecimento de combustível marítimo, enquanto os pescadores da comunidade continuam a recorrer aos postos convencionais.

Além do preço do combustível, a deslocação para efectuar o abastecimento representa mais uma dificuldade para os profissionais, que precisam de sair da localidade para garantir o combustível necessário às suas embarcações.

O presidente da associação chamou a atenção para os problemas relacionados com o transporte do pescado, bem como para as condições de desembarque, que considera insuficientes para responder à realidade da comunidade.

De acordo com o responsável, os pescadores enfrentam dificuldades para desembarcar e encaminhar o pescado depois das jornadas no mar, situação que se agrava pela falta de estruturas adequadas de apoio.

O dirigente associativo entende que os problemas apontados não são recentes e vêm sendo apresentados há vários anos às autoridades, sem que, até ao momento, tenham sido encontradas respostas satisfatórias.

Na sua perspectiva, a situação dos pescadores de Porto Mosquito deve ser colocada na agenda das autoridades responsáveis pelo sector das pescas.

Com a entrada em funções do novo Governo, Manuel de Jesus dos Santos Lucas espera que os problemas da comunidade sejam apresentados e discutidos com as novas autoridades, nomeadamente com a ministra responsável pela pasta das pescas.

O responsável informou que pretende solicitar uma audiência à ministra Eveline Correia para apresentar directamente as preocupações dos pescadores, tendo preparado uma carta para esse efeito.

A associação pretende, assim, que o diálogo com as autoridades seja retomado e que as dificuldades identificadas possam ser analisadas no terreno, com a participação dos próprios pescadores.

Para Manuel de Jesus dos Santos Lucas, ouvir os representantes das comunidades piscatórias é fundamental para que as políticas públicas respondam, efectivamente, às necessidades daqueles que trabalham diariamente no mar.

O dirigente considera que a realidade dos pescadores deve ser conhecida pelas autoridades, sobretudo porque muitos dos constrangimentos existentes acabam por ter impacto directo na actividade económica das famílias e na disponibilidade de pescado para os consumidores.

Entre as prioridades apontadas estão, por isso, a recuperação da fábrica de gelo, a melhoria das condições de desembarque, a criação de melhores soluções para o transporte do pescado e a disponibilização de combustível a preços mais acessíveis.

A falta de gelo assume particular importância porque a conservação adequada do pescado é determinante para preservar a qualidade da captura e evitar perdas.

“Sem uma estrutura local funcional, os pescadores ficam sujeitos a maiores custos e dificuldades logísticas”, indicou Manuel Lucas.

Segundo ele, a reabilitação das estruturas existentes poderia contribuir para dinamizar a actividade e melhorar as condições de comercialização do pescado em Porto Mosquito.

Neste momento, Porto Mosquito, de acordo com o líder comunitário, conta com cerca de 80 pescadores.

“Antes, havia muito mais pessoas que se dedicavam ao mar. Mas, com a emigração em massa dos jovens, começa a registar-se falta de mão-de-obra”, queixou-se Manuel de Jesus Lucas.

A mesma situação constatou a Inforpress numa recente deslocação a Rincão, onde os pescadores mais velhos se queixam da falta de mão-de-obra para as actividades pesqueiras.

“Tenho o meu bote parado porque não tenho companheiro para ir ao mar”, disse José António Semedo, acrescentando, por outro lado, que pescar em Rincão está a ficar “cada vez mais difícil”, porque os homens do mar são obrigados a ir para longe, uma vez que já não se consegue peixe nas proximidades.

“O acordo de pesca com a União Europeia tem prejudicado Cabo Verde, em particular os pescadores”, concluiu José António Semedo.

LC/HF

Inforpress/Fim

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